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Zero preocupada com impactes negativos da Barragem do Pisão

A associação ambientalista Zero está preocupada com os impactes ambientais negativos associados à construção do aproveitamento hidráulico do Crato (Barragem do Pisão), projeto financiado em 120 milhões de euros pelo Programa de Recuperação e Resiliência.

Em comunicado, a associação diz ter “as maiores reservas em relação à necessidade e à oportunidade de se avançar com este projeto” uma vez que constitui “mais um exemplo das más decisões de utilização dos escassos dinheiros públicos que temos para promover o nosso desenvolvimento enquanto país membros da União Europeia, com a agravante de gerar impactes ambientais e sociais negativos”.

Segundo a Zero, “é evidente” o contributo negativo da futura Barragem do Pisão “para as alterações climáticas”, pela perda de sumidouros e aumento das emissões de gases com efeitos de estufa, “efeitos que, juntamente com a degradação da biodiversidade e o aumento do risco de poluição de massas de água, resultarão numa violação” das regras de acesso aos fundos europeus.

São cinco as razões apontadas pela Zero para que o projeto “não mereça decisão favorável” por parte da Agência Portuguesa do Ambiente, onde está a decorrer o processo de avaliação do impacte ambiental. A começar pelo abastecimento público de água aos concelhos de Nisa, Crato, Ponte de Sôr, Fronteira, Sousel, Alter do Chão e Avis, considerado o principal objetivo do projeto. 

“O Estudo de Impacte Ambiental não comprova a necessidade de construção de uma nova barragem para garantir o abastecimento público, não havendo uma avaliação específica da eficiência do uso da água no abastecimento urbano (…) [esta] é centralmente uma obra de fomento hidroagrícola”, sublinha a associação, considerando ainda tratar-se de um “projeto público inconsequente” para combater o despovoamento da região.

Por outro lado, o estudo socioeconómico divulgado na documentação em consulta pública indica que “toda a área beneficiada por rega está em apenas 77 explorações, sendo que os 120 milhões de euros de investimento via PRR são, na prática, um apoio de dois milhões de euros distribuído pelos 57 particulares, sobretudo grandes proprietários”.

Lembrando que a construção da barragem do Pisão levará à inundação da aldeia do Pisão e ao desalojamento da sua população, “cujo destino continua incerto, sem quaisquer soluções concretas apresentadas”, a Zero refere que a construção da barragem e do perímetro de rega provocará “a destruição de centenas de hectares” de montado e “a fragmentação e desaparecimento de habitat de espécies de proteção prioritária em risco elevado de extinção como é o caso do sisão, da abetarda e da águia caçadeira – destruindo a continuidade entre áreas com importância para a conservação”.

Para além disso, “haverá uma artificialização da ribeira de Seda e seus afluentes, com impactes cumulativos à albufeira do Maranhão, e aumento do risco de contaminação dos recursos hídricos através da promoção de sistemas agrícolas intensivos dependentes do uso sistemático de agroquímicos”.

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