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Vila Viçosa. Farmácia centenária vai ser classificada

Margarida Maneta texto | Gonçalo Figueiredo foto

São 110 anos de história reunidos num local e espólio visitáveis que agora se encontra em vias de classificação patrimonial.

1 de agosto de 1912. Abriam-se as portas da Farmácia Monte pela mão daquele que lhe deu o nome, António Victor do Monte. Passado 110 anos, a 1 de agosto de 2022, abriram-se as portas da coleção visitável deste mesmo espaço numa iniciativa conjunta do município, dos familiares do fundador, da Direção Regional de Cultura e do Museu da Farmácia.

Só em frascos contam-se 900, onde se encontra pó de arroz, vaselina, pedra pomes, água destilada, banha preparada, alfazema, alecrim ou rosas. Os mosaicos no chão continuam a intercalar entre o preto e o branco, a mobília é a mesma, feita na altura por um calipolense, bem como a caixa registadora.

Os frascos e os tubos de ensaio estão guardados em armários. As balanças em cima da mesa e o termómetro pregado na parede. Os microscópios foram desenhados pelo próprio António Victor do Monte.

Quem entra agora pela Farmácia Monte tem uma perceção completa da forma como funcionavam estas instalações, recriada ao milímetro com a ajuda de fotografias, memórias e testemunhos. Visível era só o balcão de atendimento ao público, mas agora desvendam-se as máquinas de tipografia para rotulagem, os espaços de desinfeção e produção, a biblioteca e o laboratório.

Num esforço acordado entre os proprietários do espaço e da coleção, familiares do seu fundador, e o município de Vila Viçosa, as instalações e espólio da Farmácia Monte dão agora vida a uma Coleção Visitável, em vias de classificação patrimonial. 

“O que tentámos fazer foi devolver a originalidade a este espaço para que o visitante que aqui se desloca possa perceber como funcionava uma farmácia no interior do país no início do século XX”. Quem o diz é o vice-presidente da Câmara Municipal de Vila Viçosa, Tiago Salgueiro. “Cumprindo aquela que era a vontade do fundador da farmácia, houve essa possibilidade de se criar aqui um espaço museológico e permitir a fruição pública de todo este acervo, salvaguardando-o e protegendo-o”. 

Ainda segundo Tiago Salgueiro, “sendo esta a única farmácia histórica completa que temos em Portugal e que está musealizada ‘in sito’, no local em que a farmácia foi constituída, pensamos que estão reunidas condições para termos mais um fator de atratividade em relação ao nosso território, complementando a outra resposta turística que já existe”.

Foram vários os produtos de cosmética, higiene oral e até produtos veterinários que entre estas paredes se foram produzindo, além dos tradicionais calmantes e xaropes para a tosse.  “Lembro-me bem de vir aqui buscar um xarope muito bom para a tosse”, comenta uma visitante, ao seguir a visita guiada. Admirando o espaço, em conjunto com uns turistas lisboetas que por ali chegam, relembra-se que “isto é do tempo em que ainda se faziam coisas para durar”, apontando com surpresa para a máquina registadora em perfeitas condições.

No período da gripe espanhola, o desempenho da Farmácia Monte revelou-se “crucial”, relembra o vice-presidente da autarquia. “Os relatos dos familiares têm dado um apoio fundamental para a perceção de como seria a vida na farmácia durante esse período. O que nos têm transmitido é que durante a gripe espanhola, em Vila Viçosa, por volta de 1918, houve esse esforço para se dar uma resposta ao número de infetados que era exponencial”, afirma. 

“Esse terá sido o período mais crítico em termos de trabalho aqui na farmácia, especialmente na produção de medicamentos que baixassem a febre. Um episódio que nunca foi esquecido”. Muitos encontraram nesta farmácia “a salvação desejada nas obras calmantes”, como ainda se pode ler nas paredes. Outros tantos procuram-na agora para descobrir mais sobre a história de Vila Viçosa e a identidade das suas gentes.

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