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Unesco: Candidatura de Vila Viçosa será entregue em janeiro

Margarida Maneta texto | Gonçalo Figueiredo foto

O currículo fala por si. O arquiteto Nuno Ribeiro Lopes foi coordenador das candidaturas do Pico e da Universidade de Coimbra a Património Mundial da Unesco. Agora, lidera a comissão coordenadora da candidatura de Vila Viçosa, que deverá entregue em janeiro do próximo ano. Qual o maior desafio? “O pouco tempo que temos”. 

Além das candidaturas do Pico e da Universidade de Coimbra, Nuno Ribeiro Lopes geriu, durante vários anos, o centro histórico de Évora (igualmente classificado como Património Mundial), foi um dos responsáveis pelo bairro da Malagueira (obra de Álvaro Siza Vieira já inscrita na lista indicativa da Unesco) e diretor regional de Cultura no Governo dos Açores. Segundo revela, aceitou este novo desafio sabendo que “não será fácil”. Ou seja, “é um desafio na medida em que a maior parte destes processos são muito técnicos, muito específicos. Não basta ter uma história para contar, é preciso saber contá-la. É preciso fazer a demonstração daquilo que vamos contar”.

“Em muitos casos as candidaturas são feitas no sentido elogioso, mas não no sentido demonstrativo. Isto para a Unesco é claramente demonstrativo porque estamos a falar de todo o mundo e há gente que não conhece Vila Viçosa, nem Portugal, portanto, o documento que tem de ser entregue tem de ser um documento que, visto à distância, possa ser credível”, explica. 

De acordo com Nuno Ribeiro Lopes, havia inclusivamente pareceres “que obrigavam a uma mudança da estratégia da candidatura” de Vila Viçosa. “E eu identifico-me com esses pareceres. No fundo, neste momento, estamos a delinear uma estratégia completamente diferente e isso obriga a reformular o dossier [de candidatura]. Não deixa de ser o objetivo o mesmo, mas a estratégia é que será diferente”. 

Uma das alterações passa, desde logo, pela denominação da candidatura: “Vila Ducal Renascentista”. Explica Nuno Ribeiro Lopes: “Não me parece [que esse título possa] vir a ser escrito, se nem sequer é renascentista em termos de desenho… não é explicito, nem por comparação a outras cidades, nomeadamente italianas. Isto não seria excecional, ficaria limitado a outras cidades, estas sim que tiveram períodos fantásticos do renascimento e que têm organização de acordo com os padrões que correspondem a essa época”. 

Em Vila Viçosa não foi bem assim. A vila, lembra, “está muito associada à Casa de Bragança”. E, no fundo, o segredo será esse. “A Casa passou de alternativa, de apoio à Casa Real, a ser a própria Casa Real e há esse ato político fantástico que é a decisão de consagração do reino português ao culto a Nossa Senhora”. Dito de outra forma, “são situações que têm muito de imaterial, suportadas num território”. Enquanto a candidatura anterior “era muito baseada na componente física”, Nuno Ribeiro Lopes defende que terá de apostar muito mais na dimensão imaterial, de que a Tapada Real é outro exemplo. 

“A candidatura tem a ver com esse espaço alternativo ao Paço Ducal, com uma corte, com o desenvolvimento das artes, com os mecenatos em que, no fundo, Vila Viçosa cresce e vive à custa, à sombra disso. É um pouco essa a linha. Obviamente tem de ser afinada, trabalhada, para isso é que temos alguns meses para o fazer, mas é por aí que nós iremos”, sublinha. 

Do dossier de candidatura anteriormente elaborado, o arquiteto diz que “muita informação” pode ser aproveitada. “O que estamos a mudar é o foco e, na medida em que mudamos o foco, a estratégia, mudamos muita da informação que é preciso prestar e que foi dada num outro sentido. Por outro lado, precisamos de elementos técnicos que a outra candidatura não tinha e que é fundamental. Teremos de ser demonstrativos. Se é demonstrativo, não podemos suportar só em textos de pessoas eminentes, mas tem de ser traduzido em análises históricas, cartográficas, no estado de conservação dos edifícios… um plano de gestão é fundamental sobre o que é que se quer fazer para Vila Viçosa nos próximos anos”. 

“Se não acreditasse no sucesso desta candidatura não me metia nisto”, garante Nuno Ribeiro Lopes, reconhecendo que os processos “nunca são fáceis”, mas, primeiro, “é preciso ter mérito”. Segundo refere, o maior desafio “é o pouco tempo” que resta para a apresentação da candidatura – a do Pico demorou dois anos; para a de Coimbra foram oito. Esta terá de ser entregue à Unesco até 31 de janeiro. E, antes, o dossier terá de ser analisado pelo Estado português. Ou seja, até meados de novembro “o trabalho terá de estar concluído”. 

Sobre o mais relevante na candidatura, aponta, obviamente, o Paço Ducal, o castelo, as diferentes igrejas e “a próprio traçado regular de Vila Viçosa… uma expressão material, muito bonita, a partir do mármore. A candidatura tem de ser um fator que produz uma marca de Vila Viçosa até para o mármore. Eu diria que Vila Viçosa é um todo neste conjunto e tem uma história e é essa história que temos de contar e de valorizar”.

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