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Sónia Ramos: “A normalização da vulgaridade” (opinião)

Sónia Ramos, deputada do PSD | Opinião

Vivemos tempos de uma enorme degradação institucional e política. A normalização da promiscuidade, do abuso de poder, a sensação de impunidade e a arrogância de quem exerce o poder, está instalada. Se a democracia está em perigo? Sim. Os governantes denotam tiques de bipolaridade. A maioria absoluta embriagou a serenidade e bom senso que devem assistir a qualquer português cujas decisões influenciam a vida de 10 milhões de concidadãos. 

O país está incrédulo perante a novela mexicana que o PS tem protagonizado. O mesmo PS que dá a mão à extrema-direita e dela se alimenta para depois a acusar e estabelecer linhas vermelhas, é o mesma que no Parlamento lhes dá palco, fomentando a vulgaridade. Não há nada pior que a vulgaridade em política. Infelizmente, ela grassa também no poder local. A pequena política, é comum.

Infelizmente, também há muitos políticos que julgam que a melhor forma de se impor é criar uma guerra de decibéis e gesticular como se não houvesse amanhã. Provavelmente julgam que assim assustam os adversários. Também julgam que o dinheiro que gerem é deles ou está ao seu serviço e que prestam um grande serviço público quando se limitam…a cumprir a lei. Bem… cumprir a lei… depende. Cumprir a lei que dá jeito para a contabilidade eleitoral.

Os pequenos poderes são afrodisíacos para os homens pequenos, cegos pela ânsia de agradar para que todos lhe prestem vassalagem. E alguns prestam. Os que dependem do pequeno poder e das migalhas (por vezes gigantes) que a gestão dos dinheiros públicos, quando tendenciosa, permite.

A política sempre foi, deve ser (!), a prossecução do interesse público, do bem comum. E a materialização do interesse público deve merecer ampla discussão, ponderação, deve incluir as opiniões de todos, porque é da diversidade de reflexões – conjuntas – que nascem as ideias!

Infelizmente (uso o termo, repetida e propositadamente), os homens pequenos têm medo das ideias dos outros e sentem-se ameaçados só com a sua presença. A novidade sempre amedrontou quem vive de rotinas instaladas que enquistaram no tempo e no espaço. Homens pequenos têm visões raquíticas do mundo e da vida, quando é a largura dos nossos horizontes que faz crescer a mundividência de cada um e, portanto, das suas ideias, ou da falta delas.

Uma visão de helicóptero! Precisa-se. Um visão integradora, conciliadora, que otimize as nossas potencialidades únicas mas que respeite a nossa identidade. Que permita o desenvolvimento humano e que se cumpram as liberdades. Todas! Não só as que dão jeito para vilipendiar os outros. Que se cumpra a liberdade de opinião. E a liberdade de expressão. A liberdade de pensar pela bitola da globalização, da livre circulação de pessoas e bens, da internacionalização, e é possível fazê-lo valorizando a singularidade das nossas tradições e costumes, do nosso património, do nosso quadro de referências. Pensar global, agir local. Mas para isso é preciso ter mundo. A tal visão de helicóptero. É preciso pensar e agir para além do umbigo e da roda de amigos.

Portugal precisa de gente grande. De Homens Bons! Devemos, todos, por isso, revisitar os ensinamentos dos clássicos. Sócrates (469-399 a.C.), o filósofo, para conhecer as relações humanas e refletir sobre as condições do próprio pensamento. Através da dialética socrática, questionar as crenças habituais, assumindo a nossa ignorância (algo difícil para muitos) na busca do verdadeiro conhecimento. Aristóteles, para relembrar temas como a ética, a política, a retórica… e Descartes para retomar o racionalismo, tão importante quando se exerce o poder, já que é fácil os governantes deixarem-se embalar pelas emoções.

Veja-se o caso TAP. Chegou à agressão física. É o exemplo acabado da normalização da promiscuidade e da vulgaridade. Kant, por exemplo, excelente leitura para quem tem falta de berço. Não resolve, mas pode ser que ajude. Boas leituras!

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