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Seca e aumento de custos. Ano “terrível” para a agricultura

Depois de dezembro e janeiro terem sido meses de pouca ou nenhuma chuva e de temperaturas elevadas – janeiro foi mesmo um dos mais quentes e secos desde 2000 – eis que fevereiro permanece na mesma, agravando a situação de seca, que já atinge boa parte do país.

Em Estremoz, no passado domingo, dia 6 de fevereiro, em pleno inverno, a temperatura máxima chegou aos 17 graus, de acordo com dados do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA). Chuva… nem vê-la. Nesse mesmo dia, em Alcácer do Sal, registaram-se 21 graus. Em Odemira 20. E em Mora, 19,6. As disponibilidades hídricas nas barragens continuam a baixar, sendo que os principais problemas estão a ser sentidos pelos agricultores de sequeiro, em particular os produtores pecuários.

“Os custos dos fatores de produção não param de aumentar impulsionados por um forte caráter especulativo, a que acresce o continuado esmagamento dos preços pagos à produção, mormente pela grande distribuição, situação que exige a adoção de medidas urgentes e eficazes, sob pena de virmos a assistir ao encerramento de mais explorações agrícolas”, lamenta a Confederação Nacional de Agricultura (CNA), acrescentando que a subida dos preços da eletricidade e dos combustíveis “aumentam as despesas de produção e transformação das explorações agrícolas, de transporte de bens e também das deslocações da população para aquisição de alimentos.”

“Independentemente da carga fiscal existente, estes aumentos têm na sua origem manobras especulativas com o preço das matérias-primas e com as margens de comercialização (e transformação). E os processos de liberalização e privatização de setores estratégicos para o país, ao invés do que foi apregoado, nada contribuíram para reduzir preços, muito pelo contrário, lucram os especuladores e perdem os agricultores e os consumidores”, acrescenta a mesma fonte.

Segundo a CNA, impõem-se “medidas para combater a especulação, por exemplo, através da regulação dos preços dos combustíveis e da eletricidade, da fiscalização dos mecanismos de formação dos preços”, não permitindo “que se pague aos produtores “abaixo dos custos de produção, de modo a salvaguardá-los, e à população em geral, da voracidade de lucro dos grandes grupos económicos”.

“A seca está a aumentar os encargos nas explorações, com necessidades de rega e com a diminuição de pastagens que obriga a recorrer a rações, também cada vez mais caras”, acrescenta a Confederação, segundo a qual, num contexto de alterações climáticas, em que estas situações “podem ser mais frequentes”, o Governo “tem de agir de modo preventivo e, sem demoras”.

“Em termos estratégicos para o futuro, importa corrigir erros, como os que colocam a água financiada pelo investimento público ao serviço de grandes extensões de monoculturas superintensivas, ao invés de canalizar esse investimento para a produção dos alimentos necessários ao consumo da população”, refere a mesma fonte, defendendo a necessidade de se “promover” a produção de cereais “para colmatar as necessidades da alimentação animal e para reduzir a dependência do exterior em componentes para rações”.

“Toda a atividade de inverno está comprometida e a entrar em situação de gravidade extrema no que diz respeito à pecuária e às culturas de outono e inverno”, diz, por sua vez, o presidente da Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP), Eduardo Oliveira e Sousa, segundo o qual a pecuária está a ser especialmente afetada, encontrando-se perto de uma “fase muito complicada” no que concerne à alimentação animal, a que se soma a subida dos preços dos fatores de produção, como os combustíveis ou energia elétrica. 

Segundo Eduardo Oliveira e Sousa, adivinha-se um “ano terrível” para os agricultores, ainda que a CAP considere “positivo” que o Governo tenha decidido acionar “mecanismos que permitam um planeamento seguro e articulado das reservas existentes, tal como aconteceu noutros episódios de seca recentes”.

No caso da pecuária, o Ministério da Agricultura decidiu, entre outras medidas, reiniciar trabalhos de levantamento das necessidades de investimento em captação e transporte de água e aquisição de equipamentos para abeberamento de gado, além de “dar continuidade à avaliação da possibilidade de instalar pontos de água ou cisternas associadas a albufeiras de águas públicas, garantindo, assim, uma rede de suporte em situações de contingência de seca”.

São medidas com as quais a Federação Nacional de Regantes (FENAREG) se congratula, considerando no entanto que “é preciso ir mais além, tanto no curto como no longo prazo”. A Federação defende a necessidade de “acelerar as ligações da barragem de Alqueva às albufeiras já identificadas como urgentes, nomeadamente, Monte da Rocha, Vigia, Campilhas e Pego do Altar”, além da adoção de medidas que permitam “compensar os agricultores dos efeitos da seca, que em algumas regiões do sul do país ocorre pelo 8.º ano consecutivo, num ano em que a rentabilidade das explorações está ameaçada pelo aumento dos custos das matérias-primas, em particular da energia”.

FIAPE REALIZA-SE NO FINAL DE ABRIL

A 34.ª edição da Feira Internacional de Agropecuária de Estremoz (FIAPE) vai decorrer de 27 de abril a 01 de maio, no parque de feiras e exposições da cidade. Organizado pela Câmara de Estremoz e pela Associação de Criadores de Ovinos da Região de Estremoz (ACORE), o certame não se realizou nos últimos dois anos, devido à pandemia de covid-19. Em paralelo irá decorrer a 38.ª edição da Feira de Artesanato de Estremoz.

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