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Rota Vicentina lança documentários sobre o sudoeste

Júlia Serrão texto

Quatro episódios, quatro argumentos. A minissérie “Retratos do Sudoeste” é a mais recente proposta da Rota Vicentina para mostrar a região e as suas raízes. Com duração de três a oito minutos, os documentários exploram a “relação simbiótica das gentes com cada um dos temas e o seu impacto na cultura e economia” do território. Estão disponíveis no canal Youtube da associação, para ver ou rever.

Uma expedição pelas memórias da pesca à linha, num tempo em que o mar era generoso em peixe, é o ponto de partida para uma viagem mais profunda – oceano e interior adentro. Ou o primeiro de quatro episódios da minissérie “Retratos do Sudoeste”, que procura dar a conhece as raízes do território. Intitulada “A Pesca”, a curta-metragem de quatro minutos revela-nos cenários de barcos pequenos que exploram os pequenos portos, de mariscadores na apanha de percebes que se agarram às rochas do mar da costa alentejana, e testemunhos de quem viveu e vive da atividade. Uma narrativa contextualizada por um historiador, que funciona como fio condutor. Foi publicada no YouTube. A que se seguiram mais três episódios, no espaço de duas semanas entre eles: “Terra Sagrada”, “A Cortiça” e “O Medronho”. Em todos eles, a Associação Rota Vicentina diz pretender divulgar “este pedaço de terra e toda a rede viva que dele faz parte”.

“Terra Sagrada” tramite-nos a espiritualidade do lugar, com paisagens magníficas de vegetação exuberante que nos convida a desacelerar, à mudança para um estilo de vida mais sustentável, mais perto do ritos da natureza, à comunhão profunda com a mãe Terra. E que melhor forma de começar este episódio de oito minutos do que com um grande plano desses cenários luxuriantes perto de Odemira, e o testemunho de um mestre espiritual que se rendeu àquela atmosfera paradisíaca durante uma viagem de recreio?!

“Sinto, que de alguma forma misteriosa, este lugar foi escolhido para nós (…) foi uma dádiva de Deus (…) é destinado a ser a nossa Terra mãe”, comenta, numa “confissão” bonita que enaltece o coração “muito humano” das gentes do lugar. O segundo episódio da série evoca a herança cultural da relação entre o homem e o sagrado.

RETRATAR OS ELEMENTOS

A série “Retratos do Sudoeste” surge na continuação de uma longa-metragem que a Rota Vicentina produziu e lançou: “A Costa das Cegonhas”. Um documentário “que retrata o património natural de toda esta costa do Sudoeste, entre Santiago do Cacém e Sagres, que é a área de intervenção da Rota Vicentina”, observa a presidente da Associação. Marta Cabral explica: “Entendemos fazer uma série de pequenos vídeos complementares que retratassem alguns elementos que, tendo como base a natureza, e no fundo os recursos endógenos, fossem particularmente ricos do ponto de vista socioeconómico”. E, simultaneamente, que “ajudassem a contar” a história natural e social do território.

Igualmente estéticos do ponto de vista fílmico, os últimos dois argumentos centram-se em duas atividades igualmente importantes na região, debruçando-se sobre o seu valor económico. “A Cortiça”, com um olhar sobre o montado de sobreiros, marco de identidade, de tradição e costumes: que desafios se colocam e a importância de valorização de este ecossistema. O ciclo de curtas fecha-se com “O Medronho”. Trata-se de um percurso sobre campos de medronheiros – planta característica do Mediterrâneo, aproveitada desde sempre para a fabricação de aguardente – com o foco na produção baseada nos métodos ancestrais, em alambique tradicional, que ali se pratica.

A escolha destes quatro temas não se deve a uma razão particular. “Mas entendemos que eram praticamente incontornáveis quando falamos de toda a costa”, diz Marta Cabral.

VALORIZAR OS RECURSOS ENDÓGENOS

“O que estes quatro vídeos pressupõem é olharmos para aquilo que são os recursos da nossa terra, os tais recursos endógenos, que só nós é que temos, fazem parte da nossa identidade, e de que forma é que eles podem ser valorizados economicamente, nomeadamente a partir do turismo que é a principal área de atuação da Rota Vicentina”. A presidente explica ainda que, na prática, o que estão a fazer com este calendário de lançamentos é, “à boleia de cada um dos temas”, irem “promovendo produtos e serviços ligados” a cada um deles. “E tornar mais claro para os agentes locais que esses produtos são muito valorizados”.

Os “Retratos do Sudoeste” vão continuar acessíveis no canal YouTube da Rota Vicentina, para ver ou rever. Ao contrário de “A Costa das Cegonhas” que será apenas transmitida na SIC – ainda sem data marcada. No entanto, a associação pretende mostrar o documentário nas salas da região. Até lá, prossegue o seu programa, com proposta de percursos dentro e fora das zonais mais turística, porque o objetivo de “valorização do território naquilo que ele tem de mais autêntico” está presente desde a sua criação.

“Por isso, desde o início, foi muito importante termos trilhos que percorrem as aldeias, os montes, os vales. Não só mostrar, mas criar dinâmica turística e económica envolta destes recursos”, conclui Marta Cabral, acrescentando que a associação irá também começar a prepara a Semana ID 2022, para continuar a refletir e pensar o sudoeste alentejano..

ROTA VICENTINA

A Rota Vicentina é uma associação privada para a programação do turismo de natureza na costa alentejana e vicentina. Criada em 2013, é responsável pela “gestão, integração, estimulo, desenvolvimento e promoção dos trilhos pedestres e cicláveis da sua costa”, e oferta turística associada ao produto que a Rota Vicentina representa. Está assente numa rede de mais de 200 empresas locais de diferentes setores. Para além dos trilhos, oferece atividades de natureza, cultura – que se comprometem defender a identidade local – e bem-estar. Atua ainda na área da formação para guias de natureza e cultura local.

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