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Quatro candidatos na corrida à reitoria da Universidade de Évora

Ana Luísa Delgado texto | Gonçalo Figueiredo foto

José Bravo Nico, professor do Departamento de Pedagogia e Educação, António Candeias, docente de Química e Bioquímica, Paulo Quaresma, de Informática, e Hermínia Vilar, de História, são os quatro candidatos à sucessão de Ana Costa Freitas na reitoria da Universidade de Évora (UE). As eleições estão marcadas para o próximo dia 31 de março.

Quando olha para a Universidade de Évora, José Bravo Nico, candidato à reitoria, vê “uma instituição diferente num país e num mundo, também, muito diferentes” dos de em 2014, quando o programa da atual reitora, Ana Costa Freiras, foi “debatido e sufragado” pelo Conselho Geral da instituição. “Durante os últimos oito anos, a Universidade de Évora realizou um percurso, no qual se concretizaram muitos dos objetivos inscritos no programa”. 

“Com a conclusão do atual mandato reitoral, encerra-se um ciclo na UE”, sublinha, acrescentando que ao encerramento de um ciclo de sucede um novo, no qual defende ser “necessário e saudável a construção de um novo quadro de pensamento e de ação que fomente uma forma de governação renovada, mais transparente e participada, considere e valorize a opinião de todos, respeite a democracia, promova e reconheça o mérito e garanta as melhores condições de trabalho para quem estuda, ensina, investiga e socializa o conhecimento e para os que criam e asseguram as condições para que esta nossa missão seja cumprida com a máxima qualidade”.

Para este novo ciclo, o professor do Departamento de Pedagogia e Educação quer que a UE “reconheça e estimule os nossos recursos endógenos, assente na coesão institucional, aprofunde a nossa interação com a cidade de Évora e a região Alentejo e reforce o papel da Universidade de Évora em Portugal, na União Europeia e no mundo”.

Ou seja, “a nossa academia tem que continuar a crescer, adaptando-se aos novos desafios que tem à sua frente e assumindo-se, nacional e internacionalmente, como uma instituição científica e de formação referencial”.

Segundo José Bravo Nico, a sua decisão de se candidatar à reitoria “resulta de um processo de reflexão pessoal e de uma decisão individual. Apresento-me à academia como sou: livre, sensível e valorizador das diferenças e construtor de compromissos. Sei que a nossa maior riqueza decorre das nossas diversidade e pluralidade de pensamentos, coordenadas científicas, posições ideológicas e políticas e visões do mundo”. Entre as suas promessas está a de “construir compromissos, envolvendo toda a academia”, considerando que a “tarefa essencial” de um reitor passa por “valorizar a diferença”.

O docente diz que a UE é atualmente uma “academia prestigiada, dinâmica, com uma presença crescente no mundo científico e com uma oferta formativa bem articulada com a realidade do país e que é procurada por um número crescente de estudantes nacionais e internacionais”. A instituição, sublinha, está “numa coordenada muito favorável para liderar algumas agendas científicas que encontram, no Alentejo, uma vanguarda mundial: as transições climática, energética e digital”. 

Por outro lado, “possui uma marca cultural muito forte que a distingue das restantes academias. Essa é uma vantagem que teremos que reforçar e continuar a valorizar”. Quanto aos recursos humanos, diz tratar-se de um “corpo muito qualificado e empenhado a prestar o melhor serviço às aprendizagens dos nossos estudantes e ao desenvolvimento da nossa região e do nosso país”.

Questionado sobre as suas propostas para o futuro da UE, José Bravo Nico destaca a aposta na “dimensão cultural, a qualificação permanente das condições de trabalho de estudantes e professores e a internacionalização, com particular destaque para o mundo lusófono, no qual possuímos uma imagem muito forte e onde encontramos um forte potencial de expansão da nossa atividade formativa”.

“UE tem de se fortalecer e impor”

“Para ser sucinta, diria que as principais razões da minha candidatura à reitoria têm a ver com a necessidade que a UE tem de se fortalecer e impor como uma universidade de referência nacional e internacional em várias áreas”. Quem o diz é Hermínia Vilar, recordando ter tido ao longo dos anos um percurso de “ligação e dedicação” à instituição, não apenas como docente, mas também no desempenho de diversos cargos. “Penso que reúno as condições para que possa contribuir para esse fortalecimento da universidade. E para que haja uma alavancagem da universidade como instituição de referência a nível nacional e internacional”. Na sua opinião, é igualmente importante “promover a coesão interna” e reforçar “o papel e a ligação” da UE à região.

Para a professora de História, a academia eborense reúne um amplo conjunto de potencialidades, entre as quais a existência de “recursos humanos a diferentes níveis de qualidade ímpar, de uma dedicação assinalável que há que não só motivar, mas também reforçar em termos de laços internos”. Por outro lado, “conta com áreas de ponta, de desenvolvimento e de reconhecimento a nível nacional e internacional ao nível da lecionação, mas também da investigação, que há que reforçar e que apoiar. Conta também com uma ligação à região que não é secundária e que há que alargar. Essa é uma potencialidade que há que desenvolver”.

Segundo refere, os desafios para os próximos anos são, em boa medida, idênticos aos das restantes instituições de ensino superior do país. A começar pela transição digital, onde “é necessário que a UE se imponha”. Depois, terá de “definir bem o seu lugar na rede do ensino superior, definir bem a universidade como um centro de alavancagem da região e que tem de apoiar o desenvolvimento do tecido empresarial, mas também das ciências de investigação”. Outro desafio prende-se com o financiamento: “É uma questão central que é a necessidade de repensar o modelo de financiamento do ensino superior e, muito em particular, das universidades que são chamadas de interior, mas que têm um papel crucial na coesão do território. E essa questão vai-se colocar de forma muito mais premente nos próximos anos, sendo necessário discutir, refletir sobre o que se pretende, mesmo ao nível das políticas centrais, fazer sobre a rede de ensino superior”. 

Para Hermínia Vilar, é altura de o Governo “reconhecer o papel importantíssimo que as universidades e as restantes instituições de ensino superior têm na coesão territorial, no momento em que cada vez mais se discute a litoralização do território e a baixa densidade demográfica de alguns espaços. O papel das instituições de ensino superior é crucial na definição dessas políticas públicas de coesão territorial”.

Se for eleita reitora, a docente garante que irá proceder a uma “identificação clara” de áreas de lecionação e investigação em que a UE terá de investir e “apoiar o seu desenvolvimento”, tendo presente a importância da diferenciação e da identificação. “Há que inovar no ensino e não apenas na questão da inovação, no sentido da incorporação de novas metodologias, mas também novas formas de cruzar os conhecimentos. Há que pensar cada vez mais em formações inter e multidisciplinares. Isso será o futuro”. 

Hermínia Vilar defende ainda a necessidade de “criar as condições para que haja uma maior competitividade na apresentação de candidaturas a financiamentos regionais e internacionais”, a par do desenvolvimento de uma política que fomente a “incorporação dos alunos” nos órgãos da UE e do rejuvenescimento do corpo docente. 

“Próximos quatro anos serão cruciais”

Docente de Química e Bioquímica, António Candeias diz que os próximos quatro anos serão “cruciais” tanto para a UE como para a região. “Considero que é necessário que a universidade tenha alguém que esteja preparado precisamente para poder dar resposta aos desafios que se vão colocar nos próximos anos. E considero também que perante a experiência que tenho tido e o conhecimento que tenho quer da região, quer da universidade, possa obviamente para contribuir para que a universidade se consiga desenvolver e tornar-se uma universidade de referência nacional e melhor”.

O candidato a reitor garante que a UE tem “evoluído imenso”, sendo hoje “muito diferente” do que era há 15 ou 20 anos. “Por conseguinte, conseguiu afirmar-se em muitas áreas, mas obviamente o nosso grande objetivo é sermos, de facto, uma referência não só para a região, mas também para Portugal, tendo em conta, também, aquilo que são os enormes desafios da sociedade atual”. Desafios como a sustentabilidade, alterações climáticas, transição digital e transição energética. “É preciso que a universidade possa dar resposta quer à região quer ao país”.

António Candeias garante que a sua candidatura pretende, “acima de tudo”, preparar a UE para o futuro, a partir de “todo o trabalho que tem vindo a ser feito ao longo dos últimos anos, mas também projetando a universidade” para novos desafios. “É por isso” – sublinha – “que tenho na minha candidatura um forte investimento em recursos humanos, na sua qualificação e bem-estar, mas também um forte investimento que permita dotar a universidade de infraestruturas adequadas para o futuro. E depois também, com isto, toda uma estratégia de internacionalização e de ligação e transferência do conhecimento para a sociedade”. 

Estes, refere o docente, “são os grandes vetores” da sua candidatura. Quanto a medidas concretas, aponta a “qualificação e reabilitação” das infraestruturas existentes, além do investimento em novos projetos, como o Polo de Saúde e Bem-Estar “que irá congregar a Escola de Saúde e Desenvolvimento Humano e a Escola Superior de Enfermagem num único polo, permitindo no futuro a criação do curso de Medicina”.

Outra das apostas de António Candeias, se for eleito reitor, será “qualificar” a Herdade da Mitra, de forma a torná-la numa “referência-modelo na área da agricultura, que é uma área em que a universidade tem de ser, de facto, a referência em Portugal. Proponho um investimento forte nessa área”.  A estes dois projetos soma a aposta num “polo transdisciplinar para a sustentabilidade” e o desenvolvimento de um “projeto da cidade da memória, iniciativa que reúna diversas instituições permitindo criar uma nova centralidade cultural na cidade de Évora”

“Potencialidades são imensas”

Professor de Informática, Paulo Quaresma diz ao Brados do Alentejo que há dois grandes grupos de razões que o levaram a avançar com a sua candidatura a reitor da UE. O primeiro tem a ver com os “desafios societais em que estamos e a importância de a universidade ter uma atuação e um desempenho pró-ativo, tendo sentido que poderia ajudar nesse papel de liderar um processo em que a UE assumisse de uma forma plena a sua missão perante a região, o país e a sociedade em que está inserida”. A que se soma um segundo eixo: “Tenho um percurso de 25 anos nesta universidade, em que fui passando pelos diversos órgãos e funções e fui acumulando um capital de experiências que considero que me fez reunir as competências e as capacidades para poder vir a ajudar a universidade a assumir essa sua missão e a liderar esse processo”. 

Segundo Paulo Quaresma, as potencialidades da Universidade de Évora “são imensas”, cabendo-lhe “assumir as suas responsabilidades e missão” enquanto instituição de ensino universitário público. “Tem essa missão, esse desígnio de ter um papel que tem de ser mais ativo, ser pró-ativo em ajudar nestes momentos de grandes dificuldades societais, de ter um papel mais ativo contribuindo para a resolução dos grandes desafios dos nossos dias”. 

Quanto às suas principais propostas para os próximos quatro anos, aponta como “linhas orientadores” a sustentabilidade, a transição digital e a transdisciplinaridade. Vamos por partes. “A sustentabilidade é um fator crítico e relaciona-se com o que referi anteriormente dos grandes desafios societais. Quando digo sustentabilidade é a todos os níveis: interna da universidade, da região onde está, da sociedade em que se insere e de ter um papel ativo e diferenciador e de líder nesse processo”, refere o candidato, acrescentando que a transição digital é outra aposta pois “nada se vai fazer” sem isso.: “A transição digital também poderá potenciar e suportar os processos de sustentabilidade e precisamos efetivamente de assumir plenamente esse desígnio”. Finalmente, aponta a transdisciplinaridade pois os “grandes desafios que se nos colocam não são compartimentados em disciplinas ou áreas científicas”. Dito de outra maneira, “são desafios muito complexos que só com uma abordagem transdisciplinar, holística, que junta a visão das várias disciplinas e que em conjunto tenta resolver ou contribuir para a resolução dos problemas, só dessa forma, conseguirá ultrapassar ou pelo menos contribuir para ultrapassar os problemas e desafios que se nos colocam”.

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