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Por entre empadas e tapetes, há “todo um Arraiolos” a descobrir

Maria Antónia Zacarias texto | Gonçalo Figueiredo fotografia

As empadas de Arraiolos possuem um sabor e aroma resultante da fusão das características da carne de galinha que absorve o suco da linguiça e do toucinho, enriquecido pela “excelência” da riqueza variada que os aromas das ervas aromáticas lhes conferem. Este património gastronómico tem vindo a assumir-se de grande potencial, a ponto de surgirem cada vez mais empreendedores a apostar no fabrico e comercialização deste produto da gastronomia regional. Empadas, gastronomia, vinhos e tapetes… todos os caminhos vão dar a Arraiolos, de 28 de outubro a 3 de novembro.

O vagar, como se diz e como se sente no Alentejo, a vontade de fazer alguma coisa para não parar, mesmo em contexto de pandemia, e acreditar que se é capaz, foram os “ingredientes” que estiveram na criação recente de duas empresas que se dedicam à confeção de empadas em Arraiolos e que já detêm a respetiva certificação.

Apresento-lhes a República da Empada que vai participar, pela primeira vez, no Festival da Empada de Arraiolos. Paulo Rodrigues, o gerente, afirma que as expetativas são altas porque se está à espera de muitos visitantes. “De acordo com os dados dos anos anteriores, cada casa vende à volta de cinco mil empadas e, por isso, entendemos que devemos estar presentes para, também, divulgar a nossa casa”.  

O negócio nasceu em plena pandemia. “Em Arraiolos quase todos sabemos fazer as nossas empadas, receitas guardadas na gaveta e que vão passando de geração em geração”, conta, adiantando que “é entusiasmante fazer empadas, ver as formas e querermos vê-las cheias”. Da aventura passou à concretização e abriu, no início do ano passado, um espaço em plena praça do município. O sucesso foi imediato. “Temos sete funcionários a tempo inteiro e andamos a procurar angariar clientes em Lisboa. Temos de levar a empada para fora do concelho, para ter mais visibilidade”. É que genuinidade, a bem de ver, todos lhe reconhecem. “Todas as carnes têm que ter qualidade, mas o verdadeiro segredo está na manjerona e no vinagre, para ser diferente de todas as outras”, afirma Paulo Rodrigues, orgulhoso pelo facto da empresa já ter o selo da certificação. 

A Manjerona & C.ª Mercearia segue as mesmas pisadas de estreia nesta edição do Festival da Empada. Maria José Polha, gerente, revela que esta é, igualmente, uma empresa nova, nascida em plena pandemia. “Não sabia fazer empadas, mas como estava envolvida na organização do certame por razões profissionais, fui aprendendo com quem as já fazia, fui perguntando e depois experimentei. Agora tenho a minha produção e já está certificada”.

A empresária entende que as empadas representam um “grande potencial de negócio” e a sua presença nesta iniciativa “tem como objetivo ser o impulso para conquistar e angariar novos clientes”. Em preparação estão três ou quatro mil empadas para serem vendidas durante certame, “contribuindo para a valorização deste produto gastronómico que é nosso e diferenciador de todos os outros”. Uma das diferenças é o tempero resultante das ervas aromáticas, neste caso em particular da manjerona, “uma das ervas utilizadas na confeção da empada e que dá o nome à minha empresa”.  

O Município registou no Instituto Nacional da Propriedade Industrial a marca “Empada de Arraiolos”, com início de vigência em 19 de janeiro de 2016 sendo seu legítimo e único titular, detendo um exclusivo que lhe confere o direito de impedir que terceiros utilizem, sem o seu consentimento, sinal igual ou semelhante, em produtos ou serviços idênticos ou afins facultando ao concelho um novo instrumento de promoção deste produto, permitindo dessa forma a sua distinção. 

A Câmara considera que esta medida “é um contributo para dinamizar o concelho de Arraiolos, sendo que a empada de galinha tem potencialidades que importa reconhecer, para o aumento do investimento empresarial e para o reforço do turismo”. 

TODO O CONCELHO NUM SÓ ESPAÇO

Às empadas juntam-se outros petiscos e uma feira do tapete. São sabores e saberes “bordados” na história de Arraiolos, numa mostra que decorre de 28 de outubro a 3 de novembro e que junta, no mesmo espaço, o que de melhor existe no concelho. Há empadas, obviamente, mas também prova de vinhos produzidos no concelho, gastronomia, Cante alentejano e artesanato, tapetes e não só. 

“Metemos quase todo o concelho de Arraiolos num só espaço como forma de o promovermos e esperamos, obviamente, casa cheia”. A afirmação é da presidente da Câmara Municipal, Sílvia Pinto, recordando que a iniciativa esteve interrompida devido à pandemia de covid-19. “Retomamos com expositores nas áreas dos produtos locais, restauração, pastelaria e artesanato, retomamos com o tapete de Arraiolos e com muita animação”.

A autarca salienta que esta mostra “é única” pois apenas vão participar empresas do concelho, no sentido de “valorizar e dinamizar” a economia local. “Esta é uma regra que temos conseguido manter e que acreditamos ser é uma boa aposta”. 

Novidade serão as “Conversas à Mesa”. Sílvia Pinto explica que neste ciclo de conferências vão ser discutidas questões como “a valorização dos produtos locais, a alimentação saudável na gastronomia alentejana e a produção dos vinhos no concelho de Arraiolos”, contando com a presença da Confraria dos Enófilos do Alentejo e da Confraria Gastronómica do Alentejo.

Como pensar em Arraiolos é pensar em tapetes, estes têm igualmente um lugar de destaque no certame. A sua importância é conhecida, mas nada disso desbloqueia o processo de certificação há tanto reivindicado pelo município. A preservação e salvaguarda deste saber artesanal continua a ser um desafio constante; que o digam as tapeteiras resilientes que continuam a produzir tapetes em ponto pé de flor.

Segundo a Câmara de Arraiolos, trata-se da expressão máxima de “um modelador de tradições, onde o tempo dá identidade à nossa terra que, simultaneamente, coseu em linho saberes de uma arte imensa e cozeu no forno sabores inigualáveis”.

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