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Proposta construção de habitação nos terrenos do ex-IROMA (Évora)

Luís Godinho texto

A proposta de revisão do Plano de Urbanização de Évora (PUE) prevê a construção de habitação nos terrenos e prédios do antigo Instituto Regulador e Orientador dos Mercados Agrícolas (IROMA), na Horta das Figueiras.

A informação, avançada por Jorge Carvalho, coordenador da equipa técnica que está a elaborar a revisão do PUE, não merece, pelo menos para já, a concordância dos vereadores do PS e do PSD na Câmara de Évora.

Numa primeira abordagem ao trabalho já desenvolvido no âmbito da revisão do PUE, Jorge Carvalho avança que a análise e diagnóstico “deverão estar finalizados” ainda este ano, já tendo sido recolhidas as “preocupações” de cerca de 200 pessoas que participaram em sessões promovidas pela equipa. 

“Há dois desígnios programáticos que nos surgem com muita força: a organização do modelo de mobilidade na cidade e a necessidade de qualificação urbana”, sublinhou o coordenador da equipa técnica, ouvido em reunião pública de Câmara, acrescentando que a resposta aos problemas da mobilidade exige “pensar um conceito e um paradigma completamente novos, que não sejam só retórica”, permitindo de facto “mudar uma mobilidade que continua assente no automóvel individual”.

Daí a aposta em “eixos de mobilidade suave, muito bem definidos e qualificados”, acompanhados do “reforço da estrutura ecológica urbana”.

Uma das primeiras “propostas estratégicas” apresentadas pela equipa do PUE é a “articulação” do Rossio de São Brás à estação de caminhos de ferro.

“A Câmara encomendou obras em todo este eixo, da saída da muralha até à estação [ferroviária]. A nosso ver, sendo isso uma intervenção importante, é insuficiente porque a rua é muito estreita para fazer ali coabitar o acesso rodoviário e pedonal”, refere Jorge Carvalho, defendendo a criação de um “percurso pedonal qualificado” que inclui o troço norte da Avenida Barahona, que será encerrado ao trânsito, passando junto aos silos da EPAC e “desaguando” numa “praça da estação remodelada, um grande espaço público” no qual será alterada a localização da rotunda e construído um edifício “de apoio”.

A ideia da equipa é “suscitar a vivência urbana” ao longo de todo este corredor, com uma “sucessão de espaços e de edifícios” que assegurem a “continuidade urbana” entre o Rossio e a estação ferroviária. Ou seja, “uma intervenção urbanística integrada, reforçando as funções pedonais e verdes, tanto quando as preexistências ainda nos permitem”.

Neste âmbito, uma das principais áreas de intervenção serão os terrenos e edifícios do ex-IROMA, para onde é perspetivada a construção de habitação. “Poucos sítios são tão centrais e desaproveitados como este. A Câmara tem enormes desafios no domínio da habitação e vai ter financiamento para isso”, recordou Jorge Carvalho, segundo o qual deveria ali ser promovida “uma parte significativa do programa de nova habitação a preços controlados”.

As propostas apresentadas em reunião de Câmara merecem algumas reservas por parte dos vereadores do PS e do PSD. “Não me parece muito positivo cortar a meio toda a zona do IROMA. Esta área poderá ser aproveitada com cariz cultural muito forte (…) não concordo que se transforme o IROMA em zona habitacional”, avança a vereadora socialista Bárbara Tita. 

Às dúvidas do PS, o social-democrata Henrique Sim-Sim acrescenta reservas em relação à mobilidade. “Preocupa-me a carga de novos residentes que possa vir a ser colocada numa área que tem grande pressão rodoviária. Basta pensarmos o caos que é a avenida da Horta das Figueiras no dia a dia. Esse é um dos principais problemas de estrangulamento da nossa cidade. Ao colocar [ali] mais habitação, toda essa zona vai sofrer uma pressão [ainda] mais relevante”, refere.

De acordo com o presidente da Câmara de Évora, Carlos Pinto de Sá, não se trata ainda de “fazer um projeto, mas de validar uma ideia”, para que a proposta “possa vir a integrar” o novo Plano de Urbanização da cidade. Para breve será agendada uma reunião entre a equipa técnica responsável pela revisão do PUE e a vereação, no sentido de tentar consensualizar uma posição sobre o assunto.

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