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Passos de Borba vão ser classificados pelo Ministério da Cultura

Ana Luísa Delgado texto

A Direção-Geral do Património Cultural propôs a classificação dos Passos Processionais de Borba como conjunto de interesse público. A decisão foi publicada em “Diário da República”. O período de consulta pública decorre até meados de novembro.

O conjunto a classificar integra os Passos Processionais do Alto da Praça (na foto), da Rua 13 de Janeiro, Ria de São Bartolomeu e Rua Marquês de Marialva. “Devido à sua monumentalidade e à forte ligação à religiosidade popular assumem um grande valor patrimonial e social são só no aglomerado urbano, mas também, pelas suas características arquitetónicas, a nível nacional”, refere um parecer do Centro Nacional de Cultura.

Assinado por Elsa Caeiro, o parecer destaca que o conjunto dos quatro passos, “de arquitetura barroca, planta quadrara e fachadas monumentais em cantaria de mármore” se adaptou a traçados urbanos preexistentes da vila do século XVIII, sendo ainda hoje “marcos importantes de referência e passagem, na organização social e espacial” da cidade de Borba.

“Adotando uma morfologia similar à de pequenas capelas, são fruto de uma única campanha, iniciada em 1755, e prosseguem uma tradição proveniente de Évora, cujo conjunto foi edificado entre 1719 e 1722, a que se seguiram os de Vila Viçosa e Estremoz, sendo os mais monumentais, do ponto de vista arquitetónico e artístico”, sublinha.

Na sua fachada congregam mármores da região, “com figuras esculpidas relativas à iconografia da paixão de Cristo”, sendo o seu interior decorado com “pinturas murais, algumas totalmente reinventadas no século XX (mantendo, no entanto, os desenhos originais nos tetos), observando-se, devido à degradação que as mesmas apresentam, as pinturas originais”.

Elsa Caeiro acrescenta que o conjunto, “pelo seu interesse cultural relevante, pela imagem que ainda hoje mantém no centro histórico de Borba, associado a uma memória de vivência urbana e religiosa, que importa preservar e manter, tanto do ponto de vista patrimonial como histórico-social, reúne condições para ser classificado” como conjunto de interesse público, sendo definida uma zona especial de proteção (ZEP) “de modo a assegurar o enquadramento urbano e paisagístico”.

Numa apreciação ao documento, a diretora regional de Cultura do Alentejo, Ana Paula Amendoeira, considerou “muito importante a aprovação urgente” da classificação “para uma mais eficaz” atuação dos serviços do Ministério da Cultura “no que concerne ao património de Borba, onde se registam problemas graves de conservação decorrentes de intervenções abusivas”.

De acordo com o Conselho Nacional de Cultura (CNC), “apesar de não ter sofrido qualquer alteração estrutural, e apresentando, genericamente, um razoável estado de conservação”, persistem diversos problemas de conservação, desde logo relacionados com humidade e infiltrações devidas à falta de manutenção das coberturas. O CNC alerta ainda para o facto de algumas pinturas murais terem sido “reinventadas, fruto de intervenções ocorridas na década de 70” e para o armazenamento de telas originais “no que se refere ser um sótão” dos Paços do Concelho.

“[São] problemas assinadas há duas décadas [que] suscitam, todavia, algumas dúvidas que importaria esclarecer, nomeadamente no tocante à situação patrimonial e respetivo risco de perda, tanto das telas quanto das pinturas murais originais”, refere.

Além dos Passos Processionais de Borba estão também em vias de classificação a antiga Farmácia Monte, em Vila Viçosa, recentemente musealizada, e a Igreja de Santo António, em Reguengos de Monsaraz, “projeto de inspiração neogótica” datado de 1888, da autoria do arquiteto José Dias da Silva.

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