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(opinião) Os direitos das mulheres não são direitos garantidos

Ana Luísa Delgado jornalista e advogada | Opinião

Costumo dizer que os direitos das mulheres, como o direito ao voto, o direito à liberdade de expressão, o direito à autodeterminação sexual, o direito à liberdade reprodutiva, o direito ao aborto, não são direitos garantidos. Temos que lutar por eles todos os dias! Se não o fizermos, um dia, acordamos, e esses mesmos direitos, conquistados ao longo de gerações, pelas nossas avós, pelas nossas mães, desapareceram.

Exemplo disso foi o que aconteceu aqui ao lado, na região autónoma de Castela e Leão, quando as mulheres tiveram conhecimento do novo protocolo para reduzir o número de abortos na região, conhecido como sendo uma medida “pró-vida”, numa conferência de imprensa do vice-presidente do governo regional, Juan García-Gallardo, que pertence ao Vox.

Segundo o Ministério da Saúde de Castela e Leão, os médicos vão ser instados a cumprir as novas instruções enquadradas no pacto de governo entre o PP e o Vox naquela comunidade espanhola.

García-Gallardo disse que as medidas abrangem a proposta “imperativa” por parte dos médicos às mulheres que querem abortar de uma série de possibilidades: acompanhamento “psicossocial”, ouvir “o bater do coração do bebé” e uma ecografia 4D (em quatro dimensões) na qual, através de um “vídeo em tempo real”, poderão ver o feto.

Eis o resultado de uma votação em partidos de extrema direita, populistas e defensores da trilogia de “deus, pátria e família”, contrários às liberdades conquistadas não só pelas mulheres, mas sobretudo pelas mulheres. Liberdades essas, repito, que não estão garantidas, ao contrário do que muitas poderão pensar, principalmente as nossas filhas, que já nasceram numa época em que os direitos políticos são iguais para homens e para mulheres e em que a decisão de abortar não é sinónimo de prisão.

Não. Estes direitos não estão garantidos. Temos de lutar por eles todos os dias, hoje muito mais que no passado, já que a extrema-direita e os seus ideias conservadores vieram para ficar.

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