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Obras do novo Hospital Central do Alentejo estão “atrasadas”

Ana Luísa Delgado texto | Gonçalo Figueiredo foto

Os 40 milhões de euros de apoio comunitários inscritos no Programa 2020 para uma componentes do futuro Hospital Central do Alentejo, em Évora, continuam por executar. O prazo termina no final do próximo ano.

No terreno onde será construída a nova unidade de saúde são apenas visíveis movimentações de terras. Segundo dados da Agência para a Modernização Administrativa (AMA), publicados no portal Mais Transparência, o programa Portugal 2020 tem inscrita uma verba de 40 milhões de euros para a construção do bloco de consultas externas do futuro Hospital Central do Alentejo. Mas o montante já executado, zero euros, levanta preocupações sobre a capacidade de conclui o projeto até final do próximo ano, data em que termina a execução deste programa de apoio comunitário.

“A obra está atrasada face ao calendário anunciado pelo primeiro-ministro e tem andado mais lentamente do que aquilo que gostaríamos”, lamenta o presidente da Câmara de Évora, Carlos Pinto de Sá, lembrando que “quanto mais tarde o hospital entrar em funcionamento, mais degradada fica a situação do atual hospital”, com serviços espalhados por dois edifícios separados por uma estrada nacional.

E há ainda mais dois problemas. O primeiro prende-se com a existência de dificuldades acrescidas decorrentes “da falta de empreiteiros e da subida de preços”, que tem vindo a atingir de forma particular o setor da construção.  “Temos tido um conjunto significativo de concursos que ficam desertos, reformulamos os orçamentos em alta mas mesmo assim, por vezes, não se consegue empreiteiro para realizar as obras”, refere o autarca. O segundo relaciona-se com o financiamento da totalidade da obra, que ainda não está assegurado. “Tanto quanto sei estão a decorrer negociações no sentido de procurar verbas noutros programas da União Europeia. O que esperamos é que em 2024 a obra esteja concluída e o hospital possa estar a funcionar”, conclui Carlos Pinto de Sá.

Em declarações à margem de uma iniciativa denominada “Parlamento Europeu à Sua Porta”, realizada no jardim público de Évora, o presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Alentejo, Ceia da Silva, disse acreditar que esta fase da obra “ficará certamente concluída” dentro do prazo.

“Até 2023 é impossível terminar a obra do Hospital Central do Alentejo. Vai ser concluída a parte financiada pelo Portugal 2020, no montante de 40 milhões de euros. O restante irá com certeza ser financiado pelo Orçamento do Estado ou pelo Plano de Recuperação e Resiliência. Estamos a falar de mais de 160 milhões de euros que já não serão elegíveis no Portugal 2030”, explicou Ceia da Silva.

PARLAMENTO EM ÉVORA

Destinado a aproximar os deputados europeus dos cidadãos, a iniciativa contou com a presença, entre outros, dos eurodeputados Carlos Zorrinho (PS) e Maria da Graça Carvalho (PSD), segundo os quais o combate ao despovoamento do interior deverá ser uma “prioridade” tanto no âmbito do PRR como do próximo quadro comunitário de apoio.

Para Carlos Zorrinho “tem que ser fácil encontrar habitação a preço razoável, um serviço médico fundamental, uma boa escola para os filhos, boas parcerias e pessoas que podem conversar e desenvolver projetos ou ideias”. Se não o for, não se conseguirá inverter este ciclo. Entre 2011 e 2021 o Alentejo perdeu 6,9 por cento de habitantes.

“A qualidade dos produtos regionais, a imagem associada à região, o bem-estar, tudo isso fará a diferença e, portanto, o PRR deve servir para colocar o Alentejo ao mesmo nível das outras regiões, do ponto de vista das infraestruturas, dos serviços públicos e do acesso àquilo que é fundamental para a fixação das pessoas e das empresas”, refere.

Ideia semelhante é partilhada por Maria da Graça Carvalho. “Não temos conseguido atrair para o Alentejo a quantidade do mundo empresarial que seria necessário para reter os jovens que, tendo nascido na região, vão estudar para outros lados”. Além disso, acrescenta, “é necessário existir um sistema de justiça fiscal célere e eficiente, um regime de impostos favorável também ao investimento, leis do trabalho que permitam atrair pessoas e rapidamente fixá-las, bem como alguma mobilidade laboral”. 

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