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Sousel. O renascer dos “azuis” após paragem de seis anos

Maria Antónia Zacarias texto | Gonçalo Figueiredo fotografia

A história conta que a coletividade foi fundada a 22 de julho de 1934. Quem passeia por estas salas sente o passado glorioso das vitórias, patente nas centenas de taças, as aprendizagens das derrotas, os dias e as noites de amores e desamores vividos nos bailes do salão de festas, bem como as memórias daqueles que um dia pensaram em fundar a “sociedade”, como se diz nestas terras alentejanas. 

De então para cá, foram muitas as direções que por aqui passaram, muitas gerações, períodos de maior atividade e outros de menor, até que chegou a fechar a porta durante seis anos. Agora, “por amor à camisola” dos “azuis”, e porque uma coletividade é fundamental para preservar e promover o espírito de comunidade e de pertença a uma terra, um grupo de cidadãos decidiu reativar o Atlético Clube de Sousel pretendendo “devolver-lhe vida” com a realização de várias atividades de cariz desportivo e cultural e recolocá-lo “ao peito” dos souselenses. 

O presidente da nova direção, Jorge Serafim, conta que Sousel chegou a ter três coletividades como esta. Eram conhecidas como “os azuis”, “os amarelos” e “os encarnados”. As rivalidades típicas existiam, mas foram apagadas pelo tempo. Atualmente, a única sobrevivente é o Atlético Clube de Sousel, vulgo “os azuis”. 

De acordo com o dirigente, “os amarelos” existiram até 1990, tinham uma equipa de futebol que chegou a jogar na terceira divisão, mas um incêndio no edifício fez desaparecer a sociedade. “Nessa altura, as pessoas juntaram-se e mobilizaram-se para renovar o Atlético, tendo-se reunido com o então governador civil de Portalegre e conseguiram angariar umas verbas com as quais adquiriram este edifício que é uma casa cultural e de desporto”, frisa. 

A história desta coletividade foi-se escrevendo até 2005, ano em que foi alvo de uma grande remodelação apoiada pela Câmara Municipal de Sousel, “em cerca de 60 mil euros”. Existiu com atividades até 2016, ano em que houve um festival de dança “apoiado pela Junta de Freguesia de Sousel” e, depois disso, encerrou portas até há bem pouco tempo.

“Como fui presidente da Junta de Freguesia de Sousel e tenho responsabilidades perante a freguesia juntei-me com mais umas pessoas e decidimos reabrir a coletividade”, conta Jorge Serafim.  “Fomos ter com o anterior presidente da assembleia geral para perceber como podíamos fazer eleições e deparámo-nos com a inexistência de sócios porque, dizem os estatutos, quando o sócio não paga deixa de o ser”.

O dirigente associativo conseguiu constituir uma equipa de 20 pessoas que pagaram as quotas e foi possível realizar uma assembleia e eleger uma direção em pleno verão. “Começámos a desbravar caminho, a colocar as contas em ordem e a procurar apoios.  Apresentámos um plano de atividades à Câmara que nos atribuiu um subsídio, bem como um empresário da zona que nos deu um bom apoio financeiro”, revela. 

PROMOVER O SENTIDO DE COMUNIDADE

Como a nova direção pretende dinamizar a coletividade, nada melhor do que reabrir o bar para voltar a atrair as pessoas a esta casa. Em setembro, Mariano Carapeta assumiu a responsabilidade pelo bar que está aberto todos os dias, a partir das 15:00 horas. “Aqui pode tomar-se um café, comer um bolo e jogar snooker, matraquilhos ou jogos de setas”.

Mas era preciso fazer mais. Depois de seis anos encerrada, foi necessário pintar, melhorar a iluminação, requalificar as casas de banho, ou seja, abrilhantar a casa. “O passo seguinte é voltar aos melhores anos do passado com a constituição de uma equipa de futebol de formação para o próximo ano, visto que agora a época já está a decorrer. Temos em Sousel um campo sintético, por isso, fazer uma equipa de futebol é interessante para a prática desportiva e assim também captarmos alguns apoios e patrocínios”. 

Outro desafio será levar “os azuis” a competir no torneio de futsal que todos os anos se realiza em junho, sem esquecer projetos como o incentivo à prática do atletismo, às artes teatrais e, claro, organizar os famosos bailes nas datas festivas como o Natal, Carnaval e Páscoa. “Os bailes chamavam sempre muita gente, por exemplo, na terça-feira de Carnaval, as pessoas vinham com as máscaras que faziam durante o ano. Um outro baile que era um sucesso era o do domingo de Páscoa”, recorda. 

Tudo acontecia neste salão que tem um palco, um bar e cujas instalações e dimensões dão para “acolher festas de aniversário, batizados e casamentos”, mas também “todas as dimensões culturais existentes, como a Universidade Sénior, os grupos de dança, de cantares e a banda filarmónica”, até porque o espaço onde a banda ensaia “vai deixar de ser utilizado e era uma forma desta coletividade voltar a ter banda musical”.

Vontade e sonhos não faltam a esta nova direção que está já a pensar em organizar uma noite de fados, sessões de karaoke, entre outras iniciativas, “para proporcionar soluções de eventos todos os fins de semana”. A finalidade é, a pouco e pouco, gerar receitas, “não estarmos dependentes das carolices e dos subsídios”, acrescenta Jorge Serafim, sublinhando que um dos primeiros grandes eventos deverá ser o baile realizado no domingo de Natal “como forma de agregar a família numa festa da comunidade” e porque esta era uma tradição da coletividade. “Era uma iniciativa a que as pessoas acorriam em massa, chegava-se a limitar a entrada das que não eram sócias e que vinham à procura de namoro”, recorda.

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