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O filho de bejenses que vai agora chegar à liderança do PCP

Luís Godinho texto

Para Paulo Raimundo existe “o inimigo” e “os trabalhadores”. Os pais são de Beja. Vai suceder a Jerónimo de Sousa à frente do PCP.

Filho de bejenses, Paulo Raimundo, o sucessor de Jerónimo de Sousa como secretário-geral do PCP, nasceu em Cascais. À época, os pais trabalhavam nas instalações do Estoril, onde também viviam. Mudam-se para o Faralhão, concelho de Setúbal, tinha o rapaz três anos de idade. 

É aqui que fará o seu percurso escolar, concluindo o 12.º ano como trabalhador estudante: “trabalhou em carpintaria, foi padeiro e animador cultural na Associação Cristã da Mocidade, na Bela Vista”, diz fonte do PCP, segundo a qual “a experiência enquanto animador cultural com crianças do bairro da Bela Vista foi marcante na sua formação pessoal e política”

Em 1991 entra para a Juventude Comunista Portuguesa. Três anos depois passa a membro do PCP. Em 2004 torna-se funcionário do partido, integrando o Comité Central desde 1996, desempenhando “tarefas nas áreas sindical, de acompanhamento de setores e empresas e dos serviços públicos”.

É este o fulcro das suas intervenções políticas em congressos e iniciativas partidárias. A SW Portugal consultou vários destes discursos, nos quais surge um Paulo Raimundo a organizar a sociedade entre “o inimigo”, por um lado, e “os trabalhadores”, por outro: “Ao contrário do que pretende o inimigo, os trabalhadores contam com os comunistas para a resistência e para a luta, sabem que os comunistas não baixam os braços, não alimentam o medo e não contribuem para ajudar o capital no seu objetivo de roubo de direitos”.

Neste XXI Congresso, realizado em 2020, ainda o PCP integrava a “geringonça”, o futuro secretário-geral garantia que “ao contrário do que nos acusam, os comunistas são, com o envolvimento de todos os outros ativistas sindicais, de diferentes opções políticas e religiosas, o garante da natureza de classe, do carácter unitário, da autonomia, independência e da combatividade do Movimento Sindical Unitário”.

No ano anterior, num encontro do partido, dizia que a “intervenção” do PCP na “geringonça” permitiu a abertura de “uma nova fase da vida política nacional”, apesar da existência de “contradições”, pois “interrompeu a intensificação da exploração e liquidação de direitos que PSD e CDS tinham em curso e queriam continuar, e levou por diante a reposição de direitos e rendimentos roubados”. Ainda assim, sublinhava que os “avanços” não foram mais longe uma vez que “as opções do governo minoritário do PS”, em convergência com os partidos de direita, se colocam “ao serviço do grande capital, das imposições da União Europeia e submissão ao euro”, portanto, “incompatíveis com o desenvolvimento soberano do País e os direitos dos trabalhadores e das populações”.

Premonitório, num conferência destinada a assinalar o centenário do nascimento de Karl Marx assinalava a necessidade de uma “intensa luta económica dando força e abrindo caminhos para a luta política levada a cabo pela classe operária politicamente organizada”. Quatro anos depois, é ele, Paulo Raimundo, 44 anos, apresentado pelo PCP como “operário”, que terá a oportunidade de liderar o partido.

“É de uma geração mais jovem, com um percurso de vida marcado por uma experiência diversificada, com capacidade, inserção no coletivo, preparado para uma responsabilidade que associa a dimensão pública à ligação, contacto e identificação com os trabalhadores e as massas populares e com o Partido, as suas organizações e militantes”, sublinha um comunicado do PCP.

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