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Nova associação avança com bienal de artes plásticas em Estremoz

Maria Antónia Zacarias texto

Descentralizar a cultura, apostando na apresentação de uma diversidade de modelos e técnicas de expressão, numa versátil dinâmica de discursos visuais e registos artísticos nova são os desafios da primeira edição da BIALE – Bienal Internacional do Alentejo, agendada para 22 e 26 de março de 2023, no Parque de Feiras e Exposições de Estremoz. 

Transformar a cidade numa “grande galeria de arte capaz de atrair todos os públicos” é o desafio a que se propõe a associação cultural ARTMOZ, garantindo que o evento, apoiado pelo município, constituirá uma “lufada de ar fresco” no panorama artístico da região.

“A BIALE tem como finalidade atrair, para o Alentejo, os conceitos da arte contemporânea bem como os conceitos mais relevantes da arte nacional e estrangeira”, diz Carlos Godinho, presidente da ARTMOZ, revelando que o projeto nasceu de um estudo através do qual “se constatou que não havia nenhum evento do género, nenhum grande certame de arte no Alentejo, nem na Extremadura espanhola”. 

Com uma periodicidade bienal, esta iniciativa promete “não ficar estática no tempo”, como adianta o dirigente da associação cultural, uma vez que, entre cada edição, “é provável que a exposição ou parte dos artistas possam estar presentes em Lisboa, em Espanha e em tantos outros lugares. O que quero dizer é que haverá momentos de descentralização”. 

Carlos Godinho afirma mesmo que o que é pretendido é que a BIALE seja “uma referência a sul do Tejo, com a marca Alentejo, mas que pode ir a outros pontos, fazendo-se representar por um conjunto de artistas que estiverem presentes neste certame”. 

As inscrições já estão abertas e disponibilizadas no site do certame (https://biale.pt/) e o responsável anuncia que, provavelmente, neste encontro de arte vão estar representados artistas de várias geografias, nacionais e internacionais e, claro, também de Estremoz. “O conceito desta BIALE é a arte virada para o movimento, para o crescimento e aberta aos jovens, aos novos discursos plásticos e a uma linguagem nova. É isto que se pretende apresentar em Estremoz”. 

O certame conta com o apoio institucional da Bienal de Vila Nova de Cerveira e da Sociedade de Belas Artes, da Direção Regional de Cultura do Alentejo e do Município de Estremoz. “É a primeira vez que acontece uma parceria, a sul do Tejo, deste género, sendo também de evidenciar todos os outros apoios dados por empresas do tecido empresarial de Estremoz e da região, bem como de outras instituições que querem participar e associarem-se ao evento”. 

Carlos Godinho diz depositar “muita confiança no sucesso deste momento festivo da cultura”, acreditando que “vai ser uma grande lufada de ar fresco para o Alentejo, onde esperamos mais de uma centena de artistas, da pintura à cerâmica, fotografia, entre muitos outros tipos de arte”.

Garantindo que “existe espaço [na cidade] para a realização de um grande festival de artes plásticas dedicado a todo o Alentejo”, a vice-presidente da Câmara de Estremoz, Sónia Caldeira, revela que a BIALE “vai trazer muitos artistas espanhóis, sobretudo da zona da Extremadura, e vai permitir mostrar um tipo de cultura que é necessário dar a conhecer para que se consiga abranger todos os tipos de público”. 

Atrair ao concelho pessoas interessadas nas artes plásticas, acrescenta, “é dinamizar o nosso território, porque quando nos visitam frequentam os nossos restaurantes, ocupam os nossos hotéis e adquirem bens no nosso comércio local. A cultura é também uma forma de alavancar e desenvolver o nosso concelho”.

Considerando que a cultura “está muito centralizada em Lisboa e no Porto, nas grandes metrópoles e, muitas vezes, as regiões do interior ficam esquecidas”, Sónia Caldeira apresenta esta iniciativa como “uma forma de mostrar que o Alentejo tem um potencial enorme, que Estremoz tem grande valia e que as gentes que cá vivem também merecem ter todo o tipo de cultura perto de si”. 

A BIALE – Bienal Internacional do Alentejo foi recentemente apresentada no Teatro Bernardim Ribeiro, numa sessão onde foi mostrado o site e a imagem deste evento que visa reportar o público para “o amor é cego”, figura de bairro identificativa de Estremoz, em cujo coração “está um ponto que simboliza o ponto de partida para as grandes emoções que aí vem com a concretização deste tipo de arte e cultura em pleno solo alentejano”.  

DAS ARTES PLÁSTICAS À MÚSICA

A ARTMOZ foi constituída em janeiro de 2022 e conta com diversos artistas (artes plásticas e música) e personalidades do associativismo estremocense. Carlos Godinho afirma que a associação já realizou um conjunto de iniciativas, nomeadamente o Dia dos Castelos, e explica que as iniciativas culturais que estão na génese da associação se relacionam com as artes plásticas, música e outras artes como o teatro ou artesanato, “razão pela qual surgiu a ideia de criar um grande certame de artes plásticas”. A associação pretende “recriar espaços próprios de relação entre as artes e os públicos específicos de forma a ter novos espetadores numa simbiose entre os espaços e os utentes desses lugares”. Trata-se, acrescenta Carlos Godinho, de criar uma diferente forma de ver as artes no Alentejo, estimulando parcerias com o tecido económico e envolvendo instituições públicas e privadas. “Os organismos institucionais públicos serão fundamentais para que as artes, no geral, sejam vistas nos mais diversos campos e espaços para que a associação possa dinamizar eventos capazes de chegar a todos os públicos”, conclui.

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