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Montemor-o-Novo: Agricultores querem Ministério “com peso”

Francisco Alvarenga, texto | Gonçalo Figueiredo, fotografia

O presidente da Associação de Produtores do Mundo Rural da Região de Montemor-o-Novo (Apromor) diz que o mundo rural “está em enorme sofrimento” e defende que seria necessário que o Ministério da Agricultura tivesse peso político.

“Precisávamos de um Ministério da Agricultura com peso político, mas não é aquilo a que infelizmente assistimos”, lamentou Joaquim Manuel Capoulas durante a edição deste ano da Feira da Luz, considerando que seria “muito vantajoso” para o país “que agricultura, florestas e ambiente estivessem reunidos num único ministério, de modo a haver um enquadramento permanente das políticas a seguir”.

De acordo com o presidente da Apromor, o território rural está em “enorme sofrimento”, a debater-se com as consequências de dois anos de seca que deixaram os campos “sem comida para alimentar os animais de produção do nosso sistema de pastoreio extensivo”, o mesmo acontecendo com a fauna selvagem.

“Já tivemos períodos de seca noutros anos. Muitos já não se lembram do ano terrível de 2005. Mas, aí, ainda a agricultura era considerada uma área importante para o país, como produtora de alimentos e ocupante e defensora de todo o território, contrariamente ao que é agora”, acrescentou o mesmo responsável, criticando o que classifica como “menosprezo do país” face à “necessidade de ter alguma autonomia alimentar e de ter pessoas que produzam” esses alimentos.

“No campo e em algumas zonas urbanas já voltaram as hortas particulares e a criação de animais de capoeira. Será que a população já se apercebeu daquilo que quem dirige o país ainda não?”, interrogou-se Joaquim Manuel Capoulas, lembrando que “se não houver sustentabilidade económica as pessoas abandonam o território, os incêndios aumentarão cada vez mais e os alimentos terão de vir todos de fora”.

Por isso, sublinha que a floresta “só é viável com um objetivo económico”, pois “se assim não for, não terá pessoas para dela cuidar e não será mais que terreno fértil para os incêndios”, e considera que “as alterações climáticas não justificam tudo e não poderão servir de desculpa para ocultar tudo aquilo que não se faz”.

“Na Apromor”, prosseguiu, “faremos udo o que for possível para contrariar estes ventos e marés negativas”. Segundo o presidente da associação, que reúne cerca de 200 associados e “representa uma estrutura essencial na fileira dos bovinos, ovinos e caprinos em termos nacionais, a terra “é um património” ao serviço de todos, tanto do ponto de vista económico, produzindo bens alimentares, como ambiental, preservando os ecossistemas laboriosamente moldados pelos nossos antepassados, e cabe aos homens e mulheres que têm no campo a sua vida, a enorme responsabilidade dessa tarefa. Assim sejam compreendidos e ajudados”.

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