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Mais de nove mil idosos vivem isolados

Há mais de nove mil idosos que vivem isolados no Alentejo, de acordo com os resultados da operação Censos Sénior 2023, desenvolvida pela GNR.

Ana Luísa Delgado (texto) e Gonçalo Figueiredo (fotografia)

Diz a GNR que, a nível nacional, há menos idosos isolados no país. Mas, nos distritos de Évora, Beja e Portalegre, são mais de nove mil. No caso do distrito de Évora, revela o capitão João Lourenço, houve mesmo um “ligeiro aumento” face ao ano passado. No distrito de Portalegre, pelo contrário, registou-se uma ligeira diminuição.

“Estamos a falar de situações em que os idosos possam ter sido inicialmente sinalizados por estarem sozinhos ou isolados e que poderão ter sido, entretanto, acompanhados pela família, que é um dos apelos que fazemos, para que as famílias não deixem os idosos sozinhos”, acrescenta o responsável da GNR.

De acordo com João Lourenço, a realização do Censos Sénior e o programa “Idosos em Segurança” visa “evitar comportamentos de risco”, prevenindo a ocorrência de burlas, furtos e outras atividades criminosas. “Muitas vezes é uma questão de oportunidade, existe um roubo e, portanto, existe a violência. E é neste sentido que nós aconselhamos os idosos a actuarem na prevenção, a desconfiarem daquelas pessoas que possam representar empresas ou instituições e que lhe façam perguntas, que se resguardem e que sempre que lhes levante algumas dúvidas que liguem para a GNR”, explica.

O capitão João Lourenço acrescenta que o patrulhamento junto dos locais de residência destes idosos tem sido “intensificado” para prevenir a ocorrência de crimes. “Dedicamos o patrulhamento especialmente para as situações que são mais delicadas, que consideramos que os idosos estejam numa situação ou mais isolada ou a viver em locais que possam representar riscos para o próprio idoso”, refere. Além das questões policiais o objetivo é, também, “conhecer a vida, conhecer a história e os problemas e prever situações que possam colocar em causa a segurança destes idosos”.

Os resultados do Censos Sénior/2023, realizado pela GNR, indicam que no distrito de Évora existem 2972 idosos que vivem isolados, número que no distrito de Beja sobe para 3230 (um dos maiores a nível nacional) e que no distrito de Portalegre é de 2892 pessoas.

IDOSOS NÃO RECONHECEM ISOLAMENTO

“Quando entrei para a Câmara fiz uma visita, acompanhada pela GNR, a alguns destes idosos que vivem em montes isolados. Temos a perceção que existem vários nas diversas freguesias, e é algo que nos preocupa”, diz ao “Brados do Alentejo” a vice-presidente da Câmara de Estremoz, Sónia Caldeira. “Muitas vezes, esses idosos nem sequer reconhecem o isolamento, porque estão habituados a viver assim, para eles é normal aquela vida, gostam de nos receber, mas aceitam bem a vida assim”, acrescenta a autarca, revelando que através do projeto Contrato de Desenvolvimento Social (CLDS), financiado pela Segurança Social, a autarquia tentou “fazer a aquisição de equipamentos específicos, uma espécie de botão ou telefone que os idosos pudessem acionar para pedir ajuda”. O problema é que o CLDS não financia esse tipo de investimento. E o projeto acabou por não avançar.

Ainda segundo Sónia Caldeira, na Comunidade Intermunicipal do Alentejo Central (Cimac) foi apresentada uma iniciativa denominada “Projeto É Guarda”, que está em aplicação na Beira Interior, e que, uma vez implementado na região, permitirá “colocar equipamentos no posto da GNR local aptos a receberem alertas através dos chamados botões do pânico” e que permitem às forças de segurança “chegar de forma célere” ao local.

“Houve essa proposta na Cimac para os concelhos que quisessem aderir a esse projeto. Isto facilita-nos muito a vida porque nós tínhamos sempre dificuldade em ligar aqueles equipamentos que ficariam em casa dos idosos e acionar, a qualquer hora do dia, as forças de socorro”, diz a autarca.

Sónia Caldeira refere que o Município de Estremoz manifestou à Cimac “interesse” em aderir a este projeto. “Neste momento estamos a fazer o orçamento municipal e ele já faz parte de uma das rubricas, para podermos adquirir equipamentos.

Queremos dar um sinal de que estamos atentos, não só aos idosos que já temos connosco, que estão na Academia Sénior, que estão nos diversos projetos das freguesias, mas também aqueles que vivem mais isolados”, defende a vice-presidente da autarquia, considerando tratar-se de um projeto “com provas dadas”, que poderá ser replicado a nível local. 

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