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Laboratório “potencia conhecimento” sobre Bonecos de Estremoz

Está criado o Laboratório de Investigação, Conservação e Restauro dos Bonecos de Estremoz. O objetivo é “centralizar o restauro e a conservação” de peças espalhadas por todo o mundo, e “conhecer outras tipologias de bonecos e temáticas antigas para enriquecimento da história local”. 

Da inscrição do Figurado em Barro de Estremoz na lista do Património Cultural Imaterial da Humanidade resultou uma maior notoriedade dos Bonecos de Estremoz, mas também a formação e o reconhecimento de mais barristas, a denominação de origem geográfica da produção e a sua certificação protegendo os artesãos e, em simultâneo, os compradores. Mas o futuro reservado a este património secular passará também pelo Laboratório de Investigação, Conservação e Restauro dos Bonecos de Estremoz, cujo regulamento de utilização está a ser finalizado. A ideia é potenciar o conhecimento sobre os Bonecos de Estremoz, por exemplo através de investigação da origem do barro em que eles foram construídos. 

Localizado no Centro Interpretativo do Boneco de Estremoz, inaugurado o ano passado, o laboratório, além de contribuir para o conhecimento sobre a arte dos bonecos, vai estar também aberto às restantes cerâmicas, sejam estas populares, de origem arqueológica ou artísticas, “centralizando o restauro e a conservação de Figurado de Estremoz, esteja este património na posse de particulares, associações ou instituições com valências de museu”.

Investigador e diretor do Museu Municipal de Estremoz, Hugo Guerreiro, reforça que o pretendido é que este laboratório, que conta com uma parceria com o Centro Hércules da Universidade de Évora, “se assuma como uma referência do mundo da cerâmica”.

O responsável lembra que as circunstâncias da pandemia de covid-19 criaram “disrupções” que só agora começam a ser ultrapassadas. Ainda assim, o restauro de bonecos de colecionados locais e regionais “tem sido um sucesso”. E acrescenta: “O restauro de bonecos de Estremoz para todo o país e para todo o mundo é o passo seguinte com a conclusão do regulamento” que visa definir as normas de todo o processo “porque temos, inclusivamente, sido contactados por colecionadores de todo o mundo que querem restaurar os seus bonecos”.

Assim que o normativo estiver concluído é hora de começar a recuperar este património, até porque é do interesse deste laboratório “conhecer outras tipologias de bonecos e temáticas antigas para enriquecimento da história local”. 

A parceria com o Centro Hércules é considerada, pelo diretor do Museu, como uma mais-valia para a investigação e o conhecimento das pastas, ou seja, identificar de onde veio o barro e ter a certeza de que aquela peça é de Estremoz. “Têm aparecido peças de olaria na Holanda, Bélgica, Reino Unido, Espanha, América do Norte e queremos assegurar que são de Estremoz. Esse estudo vai contribuir para o conhecimento da história da produção dos bonecos que são ímpares em termos portugueses, mas também europeu”. 

Hugo Guerreiro explica que este Laboratório tem igualmente efetuado a recuperação de painéis de azulejos que existiam em reserva no Museu Municipal e que estão a ser colocados em suporte acrílico para serem expostos ao público. “Estes trabalhos de restauro demoram sempre tempo, mas temos a certeza de que serão um sucesso”. 

O laboratório, que representa um investimento superior a 50 mil euros, beneficiou de uma candidatura apresentada ao programa comunitário Alentejo 2020, sendo comparticipada em 75 por cento pelo Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER). 

FIGURADO DE ESTREMOZ

A Produção de Figurado em Barro de Estremoz, vulgarmente conhecida como bonecos de Estremoz, foi classificada como Património Cultural Imaterial da Humanidade, pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO) a 7 de dezembro de 2017, na sequência de uma candidatura apresentada pelo município de Estremoz.

Foi o primeiro figurado do mundo a receber esta distinção, sendo reconhecida como uma arte de carácter popular com mais de 300 anos de história. A base das diferentes figuras inventariadas rondam uma centena a que se dedicam vários artesãos do concelho.

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