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José Alberto Fateixa: “E agora Portugal?” (opinião)

José Alberto Fateixa, professor | Opinião

Pertenço ao grupo de portugueses que viveram em dois regimes, primeiro em ditadura e depois em democracia. O 25 de abril de 1974 é um momento histórico marcante porque, graças a um conjunto de militares lúcidos e responsáveis, foi possível mudar o regime sem uma guerra civil e iniciar um novo tempo. 

A ditadura de Salazar e Caetano assumiu o desígnio do Portugal pluricontinental e manteve uma guerra condenada à derrota pelos ventos da história, que deixou marcas negativas em demasiadas famílias. Estudos e análises sobre o Portugal de 1973 demonstram como éramos um país muito atrasado, com respostas sociais mínimas, com uma mortalidade infantil brutal (38/1000 nascidos), em que esperança média de vida era de 70 anos, com 1⁄4 da população analfabeta, em que só 5% frequentavam o ensino secundário, com menos de 50.000 licenciados, em que metade das habitações não tinha água canalizada e cerca de 40% não tinha eletricidade. Um país com profissões vedadas à mulher (ex: juízes, chefias na administração pública) e que noutros casos, para casarem, precisavam de autorização de chefias (ex: professoras, enfermeiras). Com casos de corrupção e escândalos que a censura impedia que fossem do conhecimento público. 

O regime democrático possibilitou profundas e significativas mudanças e alterações na vida da sociedade, de forma geral muito positivas para as pessoas. Se os primeiros tempos do pós-25 de Abril foram de sonhos, utopias e excessos, assumimos a ambição de viver em liberdade e de nos integrarmos de modo pleno na Europa democrática e desenvolvida. Na comparação com os países do mundo podemos dizer que deixámos de ser um país atrasado e retrógrado. Tivemos foco na saúde, a mortalidade infantil é de 2,9/1000, a esperança média de vida é de 81 anos, o analfabetismo é residual, 85% dos jovens frequentam o secundário, os licenciados são 1,8 milhões e as habitações têm luz, água e esgotos apesar das falhas que ainda há. 

Acabámos com a guerra colonial e integrámos portugueses vindos das colónias. Podendo muita coisa ter sido diferente, persistindo desigualdades brutais de rendimentos, valorizo as melhorias das condições de vida para a esmagadora maioria dos portugueses. O sempre condenável abuso e corrupção, com a liberdade de informação, é hoje escrutinado, mas ainda não julgado como deveria.

49 anos depois pergunto, quais são agora os nossos sonhos e ambições? Direi sermos um país de paz, criador de riqueza, que valorize o trabalho, que seja cada vez mais justo na distribuição de riqueza, que combata a pobreza, que penalize infratores, que fortaleça as funções essenciais do Estado, tudo em liberdade e em democracia! 

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