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Laboratório promove sustentabilidade na agricultura 

Ana Luísa Delgado texto | Gonçalo Figueiredo foto

O laboratório colaborativo InnovPlantsProtect (InPP), liderado pela Universidade Nova de Lisboa, tem como objetivo resolver problemas que se colocam no domínio do conhecimento do setor agrícola. 

Trata-se de um projeto aprovado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT). O espaço agora renovado foi financiado pela Câmara Municipal de Elvas com o apoio da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento do Alentejo. Custou 2,8 milhões de euros e já permitiu a fixação no Alentejo de 40 investigadores.

Cláudia Rato, de 43 anos, é um deles. “Estive quase 11 anos no Reino Unido, sete dos quais na Universidade de Cambridge, a trabalhar numa área diferente da minha formação, Biologia Vegetal Aplicada. Mas há bastante tempo que queria muito regressar ao meu país. Sentia falta de estar com a minha família, com os meus amigos. Quando surgiu a oportunidade para trabalhar em plantas e o novo método de edição genómica não hesitei”, revela.

Quando Cláudia chegou a Elvas, acompanhada pelo seu marido, também ele investigador, dedicou-se a vários projetos, entre os quais um para o estudo da doença da ferrugem amarela do trigo, que pode causar perda de produção na ordem dos 50%. “Começamos por colher amostras do fungo que provoca a doença em várias zonas aqui em redor, essencialmente no Alentejo, com vista à identificação da respetiva linhagem para começarmos a trabalhar numa solução para este problema. Cada vez mais os agricultores têm menos soluções químicas para usarem nos campos”.

Também Tiago Amaro, 32 anos, deixou o seu trabalho no estrangeiro, mais concretamente na Colômbia, para vir trabalhar para o InPP. A sua investigação incide na procura de “soluções biológicas”, neste caso “organismos que já existem na natureza e explorar as suas capacidades para reduzir as doenças e as pragas” que existem nas plantas. O seu trabalho consiste na procura de “soluções biológicas”, neste caso “explorar as capacidades” de organismos que já existem na natureza para “reduzir as pragas e doenças” que afetam as plantas.

“A investigação ainda está num estado embrionário. Já isolamos microrganismos do ambiente, já estamos a testar a sua capacidade contra algumas doenças, neste caso contra a doença do fogo bacteriano das macieiras e das pereiras, que está a causar muitos danos na zona oeste” continua.

O desenvolvimento de novas moléculas para proteção de plantas contra pragas e doenças e a monitorização e diagnóstico colaborativo de pragas e doenças são algumas das linhas de trabalho do InPP. A que se junta a preocupação com as alterações climáticas. 

“São uma componente muito relevante do problema acrescido que enfrentamos de pragas e doenças que comprometem a produção de alimentos e a sustentabilidade do setor agrícola”, explica Margarida Oliveira, presidente do conselho de administração do InPP, revelando que o projeto começou a ganhar forma em 2017, com a reuniões com associações, agricultores e organizações não governamentais, na sequência do desafio da Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT) para constituir um “laboratório colaborativo” capaz de encontrar soluções para problemas com que o setor agrícola se vê confrontado.

De acordo com Margarida Oliveira, a necessidade deste projeto resulta, desde logo, pelo facto de 40% da produção agrícola mundial se perder devido a pragas e doenças, mas também porque as alterações climáticas “aumentam o risco de aparecimento de novas pragas e doenças” e pela emergência na procura de novas soluções de proteção de culturas, “mais sustentáveis que as atuais”, tendo em conta que os mercados de exportações “têm processos de certificação mais apertados”.

A opção por Elvas decorrer da colaboração previamente existente com investigadores da antiga Estação Nacional de Melhoramento de Plantas (atual Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária), “com acesso a experimentação em campo que é igualmente crucial.” 

“Por outro lado”, conclui Margarida Oliveira, a localização em Elvas “alinhava-se com um dos objetivos do programa da FCT que eram contribuir para a densificação do território, trazendo recursos humanos altamente qualificados”.

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