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Governo reconhece que ferrovia, a Sul, “não é competitiva”

Luís Godinho texto | Gonçalo Figueiredo fotografia

O Plano Ferroviário Nacional (PFN), agora apresentado pelo Governo, reconhece os tempos de viagem de comboio no Sul do país “não são competitivos com a rodovia, exceto no caso de Évora”. O problema, segundo o documento, resulta da existência de uma “estrutura ramificada”, na qual as cidades de Évora, Beja e Faro surgem em três ramais distintos.

“A combinação destes dois fatores leva a que a procura do modo ferroviário esteja bastante abaixo do seu potencial, mesmo quando consideramos o período de verão nas viagens para o Algarve”, refere o documento, acrescentando que o investimento “com maior impacto positivo” nas ligações de Lisboa ao Alentejo e ao Algarve será a construção de uma nova travessia ferroviária do Tejo. 

“Trata-se, porventura, da peça mais importante em falta na rede ferroviária nacional, já que é aquela que permite atenuar o efeito do Rio Tejo como principal obstáculo à mobilidade entre todo o Sul e Lisboa, sem esquecer o Centro e Norte do país. Sendo um investimento localizado na capital, tem um grande efeito na coesão territorial do país como um todo”, sublinha o PFN, consultado pela SW Portugal.

A previsão é que esta nova travessia permita “encurtar em cerca de 30 minutos” todas as ligações ferroviárias de Lisboa ao Alentejo e ao Algarve, aumentando a frequência dos serviços. Isto é, “a redução de tempo de viagem obtida com a nova ponte sobre o Tejo permite considerar uma alteração substancial e integração dos serviços Interurbanos da Linha do Sul e do Alentejo, começando a fechar a rede em malha”.

E é aqui que entra a reabertura da ligação entre Beja e Funcheira, encerrada durante o Governo de Pedro Passos Coelho, igualmente justificada pelo transporte de mercadorias. De acordo com o PFN, com o aumento da capacidade da Linha do Alentejo, atualmente em construção e que ligará Sines à fronteira do Caia, o “ponto de estrangulamento” passará a ser o troço entre Vendas Novas e Casa Branca.

“Em resposta a este constrangimento, a reabertura do troço Beja – Ourique permite criar o itinerário alternativo que reforça a capacidade e dá redundância ao acesso ao porto de Sines”, sublinha o documento, antecipando a possibilidade de que alguns dos serviços Intercidades entre Lisboa e Faro circulem por Beja. “Assim, colocam-se as duas cidades no mesmo eixo ferroviário, concentrando tráfegos e permitindo a acessibilidade entre elas. O tempo de viagem será semelhante ao que existe atualmente nos Intercidades da Linha do Sul. Desta forma, fecha-se mais um anel na rede ferroviária nacional”.

Como solução alternativa, o PFN sugere o estudo da criação de uma ligação que, além de permitir as reduções de tempo de viagem, coloque as cidades de Évora, Beja e Faro no mesmo eixo. “Desta forma, as três capitais de distrito passariam a ser servidas de forma mais frequente, em resultado da concentração de tráfegos no mesmo eixo, por oposição à sua divisão por diferentes ramos da rede”.

A versão desta ligação considerada no PFN usa uma parte significativa da Linha de Évora e do Alentejo, com a construção de uma concordância entre estas duas linhas e de um novo traçado a sul de Beja, com velocidades de circulação máximas entre os 200 km/h para as linhas existentes e de 250 km/h em parte do novo traçado, correspondente a cerca de metade da distância entre Évora e Faro.

“Com estas hipóteses”, refere o PFN, “mostra-se se possível um tempo de viagem inferior a duas horas entre Lisboa e Faro, com paragens em Évora e Beja. Combinando com a construção de uma ligação entre Faro e Sevilha em termos semelhantes, isto viabilizaria um tempo de viagem entre Lisboa e Sevilha inferior a quatro horas, assumindo a mesma abordagem, com aproveitamento de alguns troços das linhas existentes e construção de linha nova nos restantes”.

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