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Glamping. Eis a nova tendência no turismo do Alentejo

Júlia Serrão texto

Chama-se ‘glamping’ e é uma nova tendência em alojamento turístico. Combina campismo com luxo e requinte, proporcionando uma experiência sofisticada em tendas oriundas de várias partes do mundo. Nos sítios onde o tempo parece passar mais devagar, o convite é viver a experiência com todos os sentidos! Só no distrito de Beja, a plataforma líder mundial nas reservas para este tipo de alojamento, conta 33 locais onde a noite é passada em tendas da Mongólia ou dentro de cápsulas (‘domes’).

Tendas tradicionais da Mongólia (‘yurts’), das tribos nativas da América (‘tipis’) ou oriundas da África do Sul (‘safaris’), cápsulas ou bolhas (‘domes’) e casas nas árvores. Estas são algumas formas de ‘glamping’, de uma lista muito mais vasta que pode incluir ‘roulottes’ ciganas ou carros de bombeiros. Também são as mais comuns nos projetos já instalados no Baixo Alentejo e na costa alentejana, que apostaram neste tipo de turismo: um conceito de acampamento de luxo no meio da natureza, em zonas tranquilas onde o tempo parece passar mais devagar, convidando a relaxar e a simplesmente viver o momento. Sítios integrados em paisagens idílicas, de planície ou de vale, nas proximidades do mar, de rios ou lagos, e, às vezes, com serras a perder de vista.

Tendas tradicionais da Mongólia (‘yurts’), das tribos nativas da América (‘tipis’) ou oriundas da África do Sul (‘safaris’), cápsulas ou bolhas (‘domes’) e casas nas árvores. Estas são algumas formas de ‘glamping’, de uma lista muito mais vasta que pode incluir ‘roulottes’ ciganas ou carros de bombeiros. Também são as mais comuns nos projetos já instalados no Baixo Alentejo e na costa alentejana, que apostaram neste tipo de turismo: um conceito de acampamento de luxo no meio da natureza, em zonas tranquilas onde o tempo parece passar mais devagar, convidando a relaxar e a simplesmente viver o momento. Sítios integrados em paisagens idílicas, de planície ou de vale, nas proximidades do mar, de rios ou lagos, e, às vezes, com serras a perder de vista.

O Portugal Nature Lodge, na Quinta da Malhadinha, em São Luís, foi um dos primeiros locais a oferecer a possibilidade de pernoitar numa tenda de campismo, usufruindo do conforto de um quarto ou ‘suite’ de hotel, e de uma paisagem absolutamente bucólica, onde o silêncio é apenas quebrado pelo vento nas árvores e o som dos chocalhos do gado que pasta nas proximidades.

O primeiro investimento dos proprietários, um casal holandês que em 2008 se rendeu aos encantos do Litoral Alentejano e decidiu abrir o próprio negócio no ano seguinte, sem experiência no ramo, foi uma tenda ‘safari’. A ideia surgiu a Joke Geertsma e a Peter Minaar depois de uma amiga lhes relatar as suas férias neste tipo de alojamento, na África do Sul. Tanto mais que a opção se integrava de forma perfeita na atmosfera do lugar: campestre e simultaneamente perto do mar. Atualmente, a oferta inclui as tendas ‘safari’, as ‘yurt’ e a tenda ‘lodge’, com dois quartos.

Joke Geerstman conta que nos primeiros tempos não puderam contar com o mercado nacional. O campismo de luxo “não era muito conhecido em Portugal”, enquanto “lá fora já era uma prática comum”. As taxas de ocupação tinham, então, nacionalidades concretas: holandesa e alemã, principalmente. “Mas agora já não é assim”, comenta, acrescentando que os portugueses também já procuram estas opções. “Então nesta altura, por causa da covid-19, temos muitos clientes portugueses”.

Na envolvência da tenda ‘safari’ do Portugal Nature Lodge, acampada no cimo de um monte, os sobreiros dominam a paisagem. Mas da varanda do alojamento, uma vista muito bonita, sobre montes e vales, alonga-se quase à linha da costa. Tem casa de banho e cozinha equipada, possibilitando a confeção de refeições. Pintada à mão com motivos que denunciam a sua origem, a tenda da Mongólia é mais uma forma de ‘glamping’ no lugar de São Luís, no concelho de Odemira. Bem localizada entre sobreiros e pinheiros, e montada numa plataforma de madeira, tem forma redonda e uma janela no topo, que à noite permite olhar as estrelas e “namorar” o luar. Lá fora, há um terraço com vista sobre o vale, na orientação dos montes do Parque Natural do Sudoeste Alentejano e da Costa Vicentina. A ‘lodge’, mais espaçosa, é indicada para famílias com filhos.

O Portugal Nature Lodge não tem oferta de actividades para os hóspedes. Joke Geertsma justifica num português com sotaque estrangeiro, mas com alguma riqueza de vocábulos: “Oferecemos apenas alojamento para pessoas que procuram paz, tranquilidade, estar sem fazer nada”. As propostas para ocupar o tempo podem passar por atualizar a leitura de um livro, espreguiçar na rede ou passeios a pé, ou então dar umas braçadas na piscina. Tudo, privilegiando o contacto com a natureza, sem esquecer a proximidade da praia.

O Aterra Eco Camping, em São Teotónio, Odemira, apresenta-se como “uma experiência única de campismo ecológico de luxo”. Perto de um lago, dispõe de sete tendas: três ‘rajasthani’ originárias da Índia, dois ‘tipis’ e duas ‘yurts’. A primeira tem um terraço privado; as outras têm uma área de estar. A maior parte da mobília é de madeira e outros materiais naturais, produzidos sempre que possível a nível local. A proposta é uma “experiência imersiva na natureza”, num ambiente ecológico, duche sob as estrelas (construído ao ar livre em madeira e bambu) e relaxamento. Na zona do lago, uma piscina fluvial com áreas de sombra é uma das propostas do Aterra, que dispõe de algumas atividades como ioga e surf, passeios a cavalo ou terapias holísticas.

VISÃO DE UMA PAISAGEM LUNAR

Um “pequenino” alojamento local transformou-se num projeto ambicioso: o Reserva Alecrim Eco Suites & Glamping Boutique Resort é o primeiro “glamping boutique resort” da costa alentejana. Tiago Ferreira e Mário Barbosa adquiriram o espaço em 2018, e logo começaram a desenvolvê-lo no sentido de criar uma marca de excelência, “com um conceito muito ligado à natureza, que pretendia ser uma alternativa” a tudo o que havia. “Queríamos uma marca diferenciadora, por isso fomos em busca de conceitos diferenciadores”, explica Tiago Ferreira. Começaram com seis casas de madeira e, depois, lançaram-se no conceito inovador de ‘glamping’. Em 2019, equiparam a propriedade com alguns ‘domes’.

O coproprietário conta que os primeiros tempos não foram fáceis a nível de mercado interno, porque os portugueses estavam muito virados para o turismo tradicional, de massas. O conceito de campismo com ‘glamour’ praticamente não era conhecido e havia pouquíssima oferta em todo o País. “Para além de criarmos a nossa marca e espaço, tentámos impulsionar o conceito”, observa.

Até 2020, o ‘glamping’ da Reserva Alecrim pode contar quase exclusivamente com o mercado francês, espanhol e holandês. Mas a pandemia de covid-19 veio redesenhar o panorama, sendo necessário inventar novas estratégias. “Com as fronteiras fechadas,” a marca teve que “reinventar a forma de comunicar, nomeadamente para chegar aos portugueses”. Explica Tiago Ferreira: “O Alentejo cresceu imenso só por si, e nós beneficiámos desse crescimento e dessa procura por áreas mais rurais. O nosso espaço, por coincidência, estava adequado às regras de combate à pandemia, que ainda hoje se mantém, tais como o distanciamento físico e ter espaço abertos”.

Tendo deixado a área financeira, com empresa própria montada, para se dedicar ao turismo, o empresário explica que os pequenos-almoços, preparados com produtos locais, são fornecidos em cestas tradicionais individuais em cada “casa”. A reserva também não tem corredores, e as piscinas têm pontões individuais, não se prevendo a partilha de cadeiras e espreguiçadeiras. “O nosso conceito de restauração também é de comida ligeira, muito ao ar livre”, acrescenta. Passa-se tudo no exterior, nos jardins e junto às lagoas.

Visto de cima, a zona dos ‘domes’ lembra uma paisagem lunar (ver foto de capa) pois estão suspensos em plataformas, algumas a cinco metros do chão. São os primeiros da Costa Alentejana, havendo também pouquíssimos no território nacional.

O Glamping Boutique Resort de Santiago do Cacém tem 11 ‘domes’, de diferentes estilos: uns mais íntimos, “perfeitos” para o romance; outros direcionados para famílias de quatro pessoas ou grupos de amigos. Têm cozinha equipada, casa de banho, lareira, e alguns têm pátio com cadeirões e mesa. Vai mudando o espaço e os pormenores. Os ‘panoramic’, por exemplo, têm uma janela panorâmica, verdadeira bênção em noites estreladas e de lua cheia.

De acordo com Tiago Ferreira, este tipo de campismo é “tendencialmente” procurado por um público jovem. “São sobretudo casais, provavelmente porque a experiência tem o seu ar romântico. Mas também há cada vez mais casais com filhos, que desejam proporcionar aos miúdos algo diferente e inusitado”. Os primeiros preferem a estação baixa; os segundos, o verão. Em ambos os casos são estadias por períodos muito curtos, um fim de semana, no máximo três dias. “Mais tempo seria naturalmente cansativo. O ‘glamping’ é experimental, não é para uma rotina”, defende.

Os caminhos dentro da propriedade são rurais, “fugindo à alvenaria e ao cimento”, mantendo-se o mais ecológico possível. Dentro deste conceito, há uma piscina biológica – uma das primeiras do País. “São verdadeiros ecossistemas”, refere Tiago Ferreira, explicando que a manutenção da água é feita de forma natural, “regenerada pelas plantas e pelos animais”.

Por aqui, a lista das atividades propostas aos clientes é enorme. Algumas visam dar a conhecer os negócios locais: restauração, atividades, artistas. “Privilegiamos muito o Alentejo”, diz Tiago Ferreira, dando conta de um projeto de produção de pequenos vídeos para mostrar o que se faz em redor – a série chama-se “Os Vizinhos da Reserva”. A que se somam sugestões de passeios a pé e a cavalo, observação das estrelas e de aves e passeios de barco, prática de ‘surf’ ou visitas ao castelo de Santiago do Cacém.

SOSSEGO ENTRE SOBREIROS E OLIVEIRAS

Mais a sul, a Figueirinha Ecoturismo, em Vila Nova de Milfontes, é também um lugar de referência neste tipo de campismo, para uma experiência, garantem, “mais próxima da natureza”. A procura da sustentabilidade é um trabalho em curso, neste local: tem piscina biológica (dois terços estão dedicados às plantas), na horta as culturas para consumo da casa são feitas sem recurso a produtos químicos e a compostagem e o uso da e energia solar são “práticas comuns de respeito pela terra e de defesa do ambiente”.

A propriedade está encaixada num vale de sobreiros e de oliveiras, onde o canto dos pássaros se eleva e os aromas da vegetação acariciam os sentidos. As propostas são quatro tipos de tendas: “Kanimambo” é o nome da ‘safari’, da África do Sul, com cama de casal, cozinha e casa de banho, que se destaca pelos materiais naturais utilizados na mobília e na decoração: a cama de paletes com cabeceira decorada com ramos secos, o cocho de cortiça transformado em lavatório; “Há-Wena”, uma tenda oriunda dos Estados Unidos da América com janelas no topo para observação das estrelas – a sombra de um sobreiro refresca naturalmente o alojamento durante o dia; “Maningue nice”, cujo chuveiro é um assador de castanhas. E “Hambanine, uma tenda também oriunda da África do Sul, montada numa plataforma de madeira no meio de uma colina com vista sobre o vale. E nas sugestões de atividades, há um convite claro a sentir o vibrar da terra: rotas pedestres pela Rota Vicentina, passeios a cavalo ou de bicicleta, observação de aves e exploração de caminhos na serra ou na planície. 

PROMOVER A ECONOMIA LOCAL

De acordo com a Glamping Hub, a plataforma líder de reservas ‘online’ para alojamentos em tendas ‘tipis’, ‘yurts’, ‘safaris’, entre outros, existem 33 locais para experienciar este tipo de acomodação no distrito de Beja. Não é possível apurar o número em toda a costa alentejana, mas, seguramente, será superior. Hoje o ‘glamping’ é uma moda que, quando bem estruturado, ajuda a promover políticas de sustentabilidade dos locais que o promovem, bem como a economia local.

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