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“Gerir a universidade é um trabalho de todos para todos”

Hermínia Vilar reitora (eleita) da Universidade de Évora | Gonçalo Figueiredo foto

É fácil dizer como vim parar à Universidade de Évora. Tal como é fácil dizer como permaneci aqui. Entrei em 1989 por concurso público como  assistente estagiária para o Departamento de História,  figura que depois veio a desaparecer com a revisão do estatuto da carreira docente. Estava a terminar o mestrado em História Medieval na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, depois de uma licenciatura em História na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.

E fui ficando…encantada com uma Universidade nova, com gente jovem e dinâmica, que misturava ensino e investigação com uma grande capacidade de discussão e que retirava prazer dessa discussão.

Tinha já escolhido a área de História Medieval como área de especialização e tenho trabalhado nessa área nos últimos 35 anos. Tenho tido a imensa sorte de investigar, ensinar e orientar teses em temas que me desafiam e que me apaixonam.

Quando entrei na Universidade em 1989 fui então dar aulas na licenciatura em Ensino da História. Era o período dos cursos em Ensino e à Universidade de Évora chegavam estudantes provenientes de diferentes pontos do país.

Era uma Universidade em crescimento, marcada por um acentuado dinamismo e, sobretudo, por uma capacidade de acreditar que íamos fazer parte de algo diferente.

Muitas vezes, depois das aulas um grupo de colegas do Departamento de História saía para jantar e percorrer o Alentejo, algo que, infelizmente, o acelerar da vida e das obrigações tornou impossível nos anos seguintes.

Percorríamos os espaços em redor como se esse percurso surgisse naturalmente na continuidade da atividade lectiva e da nossa articulação com a Universidade. De certa forma, assumíamos, sem o saber, a inquestionável ligação da Universidade com a região em que se insere.

A minha ligação com Évora e com o Alentejo consolidou-se nesses anos e está na base, sem dúvida, de tudo o que hoje perspectivo como sendo o papel e a função que a Universidade tem de ter a nível regional.

Isto sem esquecer que os desafios que se colocam à Universidade de Évora são transversais e implicam, igualmente, que a Universidade se assuma como uma instituição de referência nacional e internacional em áreas chave.

Dito isto, a Universidade de Évora tem de ser protagonista de um discurso de defesa das especificidades do território em que se insere, tem de sensibilizar o poder central para os problemas  que afectam o chamado “interior” e influenciar as politicas públicas nas tomadas de decisão sobre a regulação do território.

Não tenho dúvidas sobre a grande responsabilidade que este cargo acarreta. Os desafios que já existem ou que se perfilam no horizonte são muitos e importantes, tanto para a Universidade como para a região.

Mas farei o meu melhor para os ultrapassar da melhor forma, afirmando a importância da Universidade. Para tal irei contar com o apoio de uma equipa coesa e espero contar também com o apoio dos docentes, investigadores, não docentes e estudantes da Universidade. 

Gerir uma Universidade é um trabalho de todos para todos. Só assim faz sentido e é assim que entendo o cargo.

A minha formação em História permite-me perspectivar o tempo longo e aferir sobre a relatividade das conjunturas. Esta formação, a par do conhecimento que tenho da Universidade, dotou-me das competências necessárias a uma análise detalhada dos cenários e à definição de soluções inovadoras.

É essa capacidade que irei também colocar ao serviço da Universidade de Évora.

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