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Fugidos da guerra, refugiados “dão cartas” na canoagem

Ana Luísa Delgado texto

Chegaram fugidos da guerra na Ucrânia e começaram a treinar no Clube Náutico de Milfontes. Dois meses depois, cinco atletas ucranianos brilharam na Taça de Portugal de Regatas em Linha, disputada em Montemor-o-Velho. Uma das atletas, Oksana Tsompel, conseguiu mesmo uma medalha de ouro. Odemira quer atrair cada vez mais atletas e equipas internacionais para estágios no Rio Mira.

A competir na pista seis, Oksana Tsompel concluiu os 200 metros de regata em 48,865 segundos, o que lhe garantiu a vitória na Taça de Portugal de Regatas em Linha, disputada em Montemor-o-Velho, na categoria de k1 cadetes femininos. 

A prova foi renhida, disputada até final e ganha por uma diferença inferior a um segundo, mas Oksana Tsompel saiu da Taça de Portugal com mais história para contar: por uma diferença ainda inferior não chegou à medalha de ouro na regata de 500 metros, que concluiu na segunda posição.

Na “final a” de cadetes masculinos (1000 metros), aquela em que participam os nove melhores atletas em prova, Yevhenii Dovhyi alcançou um oitavo lugar. E outros atletas como Davyd Lavrynets, Stanislav Dovbnia ou Maksym Voichuk estiveram igualmente em bom plano, tanto nas eliminatórias como nas finais em que participaram. 

Em comum têm o facto de serem refugiados ucranianos e de representarem as cores do Clube Náutico de Milfontes. “Foi, de facto, uma participação muito positiva deste grupo de atletas que, ao longo do dia, foram sendo apurados para disputar as finais e que conseguiram excelentes prestações, entre os melhores em prova”, conta Francisco Aires, também ele canoísta e presidente do clube.

Os cinco atletas ucranianos, com idades entre os 15 e os 16 anos, chegou a Portugal há pouco mais de dois meses, aquando da invasão da Ucrânia pelas tropas do exército russo. “Já praticavam canoagem e a sua adaptação tem sido muito positiva”, acrescenta Francisco Aires, revelando que “o maior problema” continua a ser a língua: “Alguns nem sequer falam inglês, pelo que termos de recorrer à intermediação de outras pessoas ou à ajuda dos tradutores automáticos dos telemóveis… de qualquer das formas, a gente lá se desenrasca”.

A chegada a Milfontes começou a ser preparada logo no início da guerra. Há muito que o Rio Mira é procurado por atletas e por equipas internacionais para a realização de treinos de canoagem. E um desses atletas, que por lá tinha estagiado, entrou em contacto com o grupo hoteleiro Duna Parque, onde tinha ficado alojado, a pedir ajuda para retirar algumas pessoas da Ucrânia. “Foi então organizada uma operação para os ir buscar, com recurso a duas carrinhas. Depois de uma viagem de 40 horas para cada lado, conseguiram regressar com um grupo de 17 refugiados, onde se encontravam este cinco atletas”, revela Francisco Aires. 

“Foi tudo preparado para os receber, tanto a nível de alojamento, como de alimentação e de ensino. Os estudantes estão a ter aulas no Colégio de Nossa Senhora da Graça e começaram a aparecer no clube a solicitar a utilização dos barcos e a querer praticar a modalidade”, acrescenta o responsável do Clube Náutico de Milfontes. Daí até à participação na Taça de Portugal foi apenas um saldo. Transposto com sucesso.

A Câmara de Odemira tem vindo a apostar no acolhimento de atletas internacionais em Milfontes para a realização de estágios e treinos de canoagem. “Esta é uma prática que acontece há mais de 20 anos e à qual se pretende dar continuidade. Resulta das condições naturais do rio Mira, aliadas ao clima e à disponibilidade de alojamento e ginásio, através do trabalho e persistência do Duna Parque Hotel Group”, lembra o município, que sublinha o facto de “vários atletas internacionais medalhados, incluindo nos Jogos Olímpicos, terem realizado os seus treinos em Vila Nova de Milfontes”.

Ainda recentemente o presidente da autarquia, Hélder Guerreiro, recebeu o presidente da Federação de Canoagem da Polónia, Grzegorz Kotowicz, e o selecionador nacional daquele país, Ryszard Hoppe, numa reunião que “pretendeu demonstrar o reconhecimento do concelho pela escolha de Vila Nova de Milfontes como local de treinos” para atletas internacionais.

Para Hélder Guerreiro, tratou-se de um “momento que marca o reforço de um percurso de maior parceria e valorização de três vertentes: afirmação dos três clubes como escola de canoagem, que o concelho seja cada vez mais procurado para treinos nacionais e internacionais de alta competição e seja também uma referência no turismo náutico”.

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