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Fortalezas da Raia: candidatura à Unesco está concluída

Maria Antónia Zacarias texto | Gonçalo Figueiredo foto

Os municípios de Almeida, Elvas, Marvão e Valença formalizaram, junto da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO), a candidatura conjunta das Fortalezas Abaluartadas da Raia a Património Mundial. A perspetiva é que, dentro de dias, no Palácio de Belém, o dossier final seja entregue ao ministro dos Negócios Estrangeiros e à Comissão Nacional da UNESCO.

De acordo com o presidente da Câmara Municipal de Marvão, Luís Vitorino, a proposta final, complementada de acordo com as orientações técnicas da Convenção do Património Mundial, inclui a resposta a alguns “reparos ou correções” solicitadas no relatório de avaliação do Grupo de Trabalho do Património Mundial, sobre a proposta de inscrição na lista da UNESCO.

O autarca acrescenta que, dado tratar-se de uma candidatura conjunta, pouco habitual, a primeira do género em Portugal, o processo “implicou um inovador e aturado trabalho de articulação entre os diferentes parceiros, resultando num aprofundado conhecimento dos valores patrimoniais em presença, ao longo dos cerca de 1.300 quilómetros da fronteira terrestre”. 

Todo o procedimento da candidatura foi conduzido, coordenado e preparado em estreita colaboração com as comunidades locais, com equipas multidisciplinares de distintas competências e com a colaboração de investigadores e especialistas de várias instituições de ensino superior.

De acordo com os municípios envolvidos, o objeto da candidatura é “materialmente importante pela extensão e pelos exemplares que a enquadram, é composto pela cidade-quartel fronteiriça de Elvas (já classificada pela UNESCO em 2012) e pelas fortificações abaluartadas de Almeida, Marvão e Valença”, considerando que o reconhecimento pela UNESCO vai potenciar o valor universal dos sítios candidatados e vai elevar o número e a qualidade dos afluxos turísticos que “procuram lugares distintos, únicos e de valor excecional”.

Para Luís Vitorino, o Castelo de Marvão e a Fortaleza são ‘ex-libris’ na região, evidenciando a importância que a fortaleza teve na defesa da raia, nomeadamente dos castelhanos contra os lusitanos. “Atinge 100 mil visitantes por ano, o que é muito relevante para a economia local”, sustenta, frisando que “se o património for visto do ponto de vista económico também contribui para a produção de riqueza”.

O aproveitamento da fortaleza para fins culturais, com a realização, por exemplo, do Festival Internacional de Música de Marvão, do Festival de Cinema ou da Feira Medieval é visto, pelo autarca, como um marco de dignificação do espaço histórico e do património material e imaterial. “Todos os melhoramentos que têm vindo a ser efetuados resultam da candidatura que estamos a fazer para que Marvão seja Património Mundial”, acrescenta. E exemplifica: “Temos apostado na requalificação do património religioso, comparticipámos na devolução à população dos frescos existentes na Igreja de Santiago que haviam sido encobertos no período da história em que os templos religiosos eram pintados totalmente de branco. E estamos também a escavar, na Ammaia, o quinto anfiteatro romano, que poderá vir a ser outro projeto âncora no futuro”.

Segundo a autarquia, a candidatura das Fortalezas Abaluartadas da Raia a Património Mundial “fomenta uma cooperação transfronteiriça inovadora e inclusiva, assente na preservação, na difusão e na transmissão de um património comum a diferentes comunidades, aprofundando o diálogo intercultural entre povos e criando um sentimento de identidade, de pertença e de responsabilidade”.

A candidatura “promove a coesão territorial assente na proteção e na valorização do património cultural como suporte de base económica da região transfronteiriça, nomeadamente, através da criação de redes turísticas de escalas regional, nacional e internacional”.

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