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Exposição lembra Espiga Pinto, um “semeador de arte”

Luís Godinho texto | Gonçalo Figueiredo e D.R. fotos

Nascido em Vila Viçosa, em 1940, Espiga Pinto é considerado “um dos mais expressivos” artistas plásticos do Alentejo. Com um trajeto multifacetadado, onde se inclui a pintura e a escultura, é também autor de uma “obra notável” na área da numismática e da medalhística, agora exposta na Galeria Aqui d’El Arte.

Carlos Filipe, coordenador do Centro de Estudos de Cultura, História, Artes e Património (CECHAP), chama-lhe “semeador de arte”. E, na verdade, Espiga Pinto (1940-2014), “um dos mais expressivos artistas plásticos alentejanos”, é autor de uma obra multifacetada que passa pela pintura – integra a terceira geração de modernistas portugueses -, mas também pela escultura, desenho e serigrafia. Ou pela medalhística.

“Alguns homens limitam-se a cumprir aquilo que lhes é incumbido, respondendo mecanicamente, sem alma, habituados que estão a fórmulas de sucesso. Outros, inconformados, questionam-se infinitamente, numa metáfora contínua, inspirada pela eterna novidade da paisagem”, assinala Carlos Andrade Pernas, também ele membro do CECHAP e especialista no tratamento de temas relacionados com a medalhística e a numismática. 

É que essa “metáfora contínua” de Espiga Pinto, levou-o também pelo desenho de moedas e de medalhas, “para as quais transportou imagens de uma infância marcante”, passada em Vila Viçosa, “iluminada por uma gramática vincadamente rural, enriquecida pela descoberta da geometria sagrada e por um assumido fascínio pelo cosmos”.

“Escultor Espiga: Moedas, Medalhas, Troféus e Estudos Inéditos” é o título de uma exposição patente ao público na Galeria Aqui d’El Arte, em Vila Viçosa, promovida pela CECHAP no âmbito do Artes & Letras do Alentejo, projeto no âmbito do património imaterial que visa estudar e promover a obra de artistas nascidos em Borba, Estremoz ou Vila Viçosa.

Entre as dezenas de peças expostas incluem-se, por exemplo, uma moeda de prata alusiva ao Ano Europeu dos Oceanos e lançada em 1998, aquando da Expo de Lisboa, medalhas que desenhou para entidades como o Grupo EDP, a Brisa ou a Embaixada do Canadá em Paris e diversos troféus , o mais recente dos quais (2006), em bronze e acrílico, feito para assinalar o 50.º aniversário da regata Tall Ship’s Race, uma competição internacional de grandes veleiros. 

Num texto de apresentação da exposição, Ana Cravo e Conceição Cordeiro destacam uma medalha de bronze feita para a Sociedade Financeira Portuguesa em 1987, na qual “o cavalo, forma que aparece transversalmente” na obra de Espiga Pinto, surge “como retrato da sua matriz alentejana, como forma, símbolo de beleza, de nobreza e de força”. A mostra completa-se com 12 estudos inéditos.

“Espiga Pinto foi um notável pintor e escultor de que Portugal não tem falado o suficiente. Foi um homem dos sete ofícios nas suas artes e em determinados períodos, provavelmente por razões da sua vida financeira, concentrou o seu trabalho em áreas como as moedas ou a medalhística, aceitando encomendas de grandes empresas”, diz Carlos Filipe, acrescentando ter sido possível “reunir praticamente toda a coleção” de trabalhos que fez nestes domínios, em resultado do empréstimo de dois colecionados privados. “Faltam-nos apenas algumas peças, poucas, que estão identificadas e que sabemos que foram executadas. Esta é uma vertente, notável, da obra de Espiga Pinto que é desconhecida da maior parte do público”.

No catálogo da exposição, Carlos Andrade Pernas sublinha que “sendo o bronze um dos seus materiais de eleição e o círculo a figura projetada na esfera, forma suprema de perfeição”, Espiga Pinto “encontrou na medalha um meio fértil para praticar a sua arte”. Às primeiras peças, “Apresentação do Cavalo” ou “Camponesa”, datadas de 1979, seguem-se as primeiras encomendas por parte de grandes empresas e de instituições. 

“Confrontado com a monocromia do metal, procurou ultrapassar a bidimensionalidade, entrando assim na esfera da ‘medalha-objeto’, recorrendo ao uso de formas côncavas e convexas, aos planos verticais, dobras, recortes, superfícies espelhadas e eixos rotativos, exercitando constantemente a relação com a escala da mão”, acrescenta.

TRABALHOS MONOGRÁFICOS

À exposição patente ao público na Galeria d’El Arte, em Vila Viçosa, até ao próximo dia 1 de dezembro, seguir-se-á, provavelmente em março do próximo ano, uma outra dedicada à vida e obra de Espiga Pinto. A ideia, revela Carlos Filipe, é “realizar trabalhos monográficos a partir de estudos académicos sobre o percurso do artista e a obra produzida”. Haverá oportunidade para apreciar a sua pintura e escultura, mas também a serigrafia ou as dezenas de capas de livros que desenhou ao longo da sua carreira. “Foi um homem muito fixo ao Alentejo, cuja obra promoveu muito a paisagem e as tradições da região onde nasceu. E depois surge a ligação ao cosmos, à geometria religiosa, também muito presente na sua obra, com traços que nos conduzem para uma ligação entre o céu e a terra”, conclui.

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