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Opinião: “Évora 27 – da ideia ao projeto e à oportunidade”

Ana Paula Fitas (texto) docente, escritora e investigadora| Opinião

Neste Alentejo que quase não canta, mas que ama a terra e a cultura, “sabe-lá-porquê-porque-sim-pronto-nã sei explicar-gosto disto”, apesar da vindima não ir longe e da folhagem dourada voltar à paisagem, temos, se quisermos ser rigorosos, tudo por fazer – sem detrimento do quanto de extraordinário já foi e estará previsto fazer! Nomeadamente, quando estamos em vias de concretizar o projeto Évora – Capital Europeia da Cultura 2027, o qual, para digno porte e ostentação de tal título, implica a consciência de uma visão global, estratégica e integrada territorialmente.

Mais do que servirmos de palco às dezenas de companhias, bandas e artistas que passarão por Évora, ao longo do ano de 2027, é preciso deixar nos visitantes a “pegada ecológica regional”, através da partilha de uma excelência ambiental natural e cultural, transmissora de um forte sentimento identitário, aberto à interação com o mundo – retomando, quiçá, as oficinas, ‘workshops’, tasquinhas ou pequenas montras/lojas representativas de cada país, em pequenos contextos, ‘in situ’, evocativos e celebradores da diversidade e da multipolaridade.

Essa capacidade de conferir visibilidade e garantir a execução está nas mãos dos autarcas, cujas prioridades locais, a não ser num contexto amplo e concertado, sendo díspares, relegarão para segundo plano, esta dimensão arquitetónica cultural da região, à luz da qual faz sentido a evolução social que nos traz até à atualidade regional. O mapeamento do património etnológico (‘latu sensu’), detalhado e articulado por concelho e por todo o Alentejo Central permitiria a autodescoberta turística e a apresentação de programas de visitas com interesse comercial.

A circulação intermunicipal, bem como o estado das estradas, a sinalização bem visível e atempada, o painel explicativo do sítio/monumento e os respetivos acessos rodoviários em bom estado, com a possibilidade de aceder também ao lazer, em bancos sob azinheiras ou sobreiros…

Estas são, na minha opinião, as infraestruturas indispensáveis a que o projeto Évora – Capital Europeia da Cultura 2027 seja não apenas um projeto conjuntural, mas, pelo contrário, a oportunidade de concretizarmos uma efetiva e sustentável mudança social no desenvolvimento regional.

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