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Estremoz. Oposição contra César. Câmara diz que é “humor”

Oposição de um lado, maioria do outro. PSD e Movimento Independente por Estremoz (MiETZ) dizem que o programa “Terra Nossa”, da SIC, gravado em Estremoz, “não dignificou o concelho”. “É humor”, lembrou o presidente da Câmara.

Numa das sequências, o apresentador, César Mourão, percorre algumas ruas da cidade, praticamente desertas. “Se há coisas que eu não vi na rua, foram pessoas”, lança. Depois mostra uma loja, fechada às 11:00 horas. E entra numa outra que se encontra vazia, sem clientes e sem o proprietário. “Não faz sentido. Fechado para almoço? São 11 e tal e já fechou para almoço! Aí grande vida, isto no Alentejo. Só abre às 15, depois fecha às 16 para o lanche”, ironiza. O que não se percebe, porque não é referido, é que o programa foi gravado na segunda-feira de Páscoa, por tradição “feriado” em muitas localidades do Alentejo. 

Do écran da SIC, o “Terra Nossa” saltou para a reunião pública da Câmara de Estremoz. “Quero expressar o meu veemente protesto relativamente à forma como o programa foi dirigido e à imagem que passou. Não foi bonito o que se fez ao concelho de Estremoz”, disse a vereadora social-democrata, Sónia Ramos. 

“Quando entra numa loja tradicional que, por acaso, naquele instante, não tem lá ninguém, quando refere que às 11:00 horas o comércio está fechado, isto não é fazer humor, é estar a achincalhar (…) pegar neste tipo de casos, de forma reiterada, para dizer que Estremoz não tem ninguém e que aqui ninguém trabalha, passa uma imagem que queremos contrariar”, acrescentou a vereadora do PSD, segundo a qual, “independentemente do estilo”, a emissão do “Terra Nossa” transmitiu uma “péssima imagem” da cidade e “ridicularizou-a de forma reiterada”.

Posição idêntica têm os vereadores do MiETZ. O vereador Nuno Rato fala em “total repulsa” perante um programa que “não mostra o que é Estremoz e os estremocenses”. José Carlos Salema acrescenta que a hora e meia de emissão deixou a imagem “de uma cidade deserta, onde não há produtividade, onde ninguém trabalha, toda a gente dorme a sesta, não se sabe quando trabalham ou deixam de trabalhar”. Revelando ter recebido “muitas queixas” por parte de munícipes, o vereador do MiETZ fala mesmo em “achincalhamento” dos estremocenses: “Não faz qualquer sentido vir gravar na segunda-feira de Páscoa. Todos queremos que a imagem que passe de Estremoz seja uma imagem digna, que chame pessoas. Acho que teve um efeito contrário”.

Na resposta, o presidente da Câmara, José Daniel Sádio, lembrou que a autarquia é solicitada anualmente por diversas produtoras para apoiar os mais diversos programas televisivos. Neste caso, o apoio foi de 2600 euros, em refeições e alojamento. “Foi dinheiro que ficou nos cofres das empresas de restauração e de alojamento do nosso concelho”, sublinhou o autarca, segundo o qual “somos livres de gostar ou não, cada pessoa tem a opinião que tem”, mas o programa permitiu que Estremoz estivesse “uma hora e meia em horário nobre, num canal generalista que chega a todas as pessoas do país”.

Recordando tratar-se de um programa de humor que “procura pessoas castiças para levar a conversa para a brincadeira”, José Daniel Sádio referiu que o Teatro Bernardim Ribeiro, onde foi gravado o espetáculo de stand up comedy com César Mourão, esteve “cheio” e que não se ouviram críticas. “Podem dizer que não gostaram, que ofendeu, são opiniões”, acrescentou o autarca. “Tivemos uma hora e meia de imagens de Estremoz lindíssimas e mais de um quarto de hora de imagens de drone sobre Estremoz (…) se quiser fazer um conteúdo promocional [daqueles], se calhar, custa 100 vezes mais”.

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