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Equipa do Alentejo na I Divisão? Sim, no basquetebol feminino

Ana Luísa Delgado texto

Nos 14 jogos disputados esta temporada na I Divisão de Basquetebol Feminino, o Grupo Desportivo e Recreativo (GDR) André de Resende somou 11 vitórias, alcançando o segundo lugar na Zona Sul. É um dos clubes regionais com melhor prestação a nível nacional, embora isso não se traduza num maior apoio por parte das entidades regionais. 

Na verdade, diz Luís Francisco, o treinador da equipa feminina, os apoios “ficam muito aquém” do que seria desejável. “Eu sou treinador e pago para isso, o meu colega é treinador e também paga, e muito. Ou bem que isto leva uma volta ou acaba por desaparecer pois é impossível manter um clube com esta dimensão, neste patamar competitivo, sem apoios de empresas ou de instituições públicas”, refere.

A temporada começou com uma vitória sobre o Queluz (62/56) e terminou quatro meses depois também com uma vitória, agora frente ao Marítimo, por uns expressivos 79/49. O GDR André de Resende qualificou-se para o grupo de promoção, chegou a alimentar a esperança de se qualificar para a principal prova feminina do país, mas duas derrotas, uma frente ao Clip Teams (por 73/67) e outra no pavilhão do ADS de São João da Madeira (79/52) relegaram a formação de Évora para o sexto lugar (em oito), com apenas cinco vitórias em 13 jogos disputados. No próximo dia 22, a equipa voltará a jogar, desta vez em casa, frente ao Basquete de Barcelos.

Não sendo frequente ver clubes do Alentejo a disputar as principais provas a nível nacional, mais extraordinária se torna a “aventura” do GDR André de Resende quando o principal problema se prende com a falta de apoio. “Esse é mesmo o nosso grande problema. Para ser sincero, o clube sobrevive apenas porque duas ou três pessoas, todos os meses, metem dinheiro seu para podermos continuar a treinar e a competir. A Câmara de Évora faz um esforço, mas comparado com outras câmaras … bom, é melhor nem dizer números porque seria ridículo”, sublinha Luís Francisco, lembrando que este “esforço” contribui não só para a promoção da cidade e da região, como para levar até à cidade, ao longo da temporada, centenas e centenas de atletas e familiares. “Estamos a falar de apoios muito diminutos e repare que não pagamos ordenados, apenas subsídios a algumas atletas”. Sendo que, na coluna das despesas, têm de se inscrever deslocações pelo país inteiro, incluindo Açores e Madeira. “Tudo isto é feito à custa de financiamento pessoal e do apoio de algumas empresas, na medida do que lhes é possível. A verdade é que não precisamos de muito, mas de um bocadinho mais para nos conseguirmos manter neste patamar”, sublinha o treinador.

Segundo Luís Francisco, o GDR André de Resende, no que à equipa sénior feminina diz respeito, funciona em torno de três núcleos. Um primeiro composto por jogadoras formadas no clube, “que são as mais novas”, e que está em permanente rotação uma vez que “acabamos sempre por perder as melhores, que vão para clubes profissionais”. Depois há um outro grupo formado por atletas que estão a estudar na Universidade de Évora e que encontram no basquetebol uma saída para a prática desportiva. Finalmente, um terceiro núcleo que integra algumas atletas estrangeiras, entre as quais a norte-amerciana Lanay Rodney.

“A base da equipa sénior é a formação, integrando depois algumas atletas universitárias e outras estrangeiras pois, para chegar a este patamar, temos de fazer esse esforço, de resto comum às outras equipas. Sem isso, em primeiro lugar, não conseguiríamos estar na I Divisão ou, se subíssemos de divisão, desceríamos no ano seguinte”, explica Luís Francisco, explicando que algumas destas atletas, brasileiras ou norte-americanas, “vêm fazer uma experiência na Europa com a esperança de, depois, fazerem um bom contrato num clube profissional que lhes pague um ordenado justo e será, possivelmente, o que nos vai acontecer este ano com algumas atletas”. Desportistas que competem pela formação de Évora em troca de um “pequeno subsídio, nem sequer é um ordenado”, pois o orçamento não chega para tanto.

UM CLUBE QUE NASCEU NA ESCOLA

O clube nasceu na Escola André de Resende, em Évora, há mais de 40 anos, criado pelo então diretor deste estabelecimento de ensino, Celestino David. Por lá já passaram alguns milhares de atletas e nos últimos anos o patamar de qualidade aumentou de forma substancial, sobretudo no basquetebol, a modalidade onde foram atingidos os resultados desportivos de “maior sucesso”. O basquetebol foi a modalidade onde o clube atingiu os resultados desportivos de maior sucesso. 

“Temos hoje outra ambição”, diz Luís Francisco, sublinhando que também a nível de seniores masculinos o clube esteve a disputar a subida de divisão, sem sucesso. “Temos poucos recursos, fazemos o que podemos”. A nível feminino, o patamar atingido “é impensável” para um clube da nossa dimensão, acrescenta o treinador, frisando que a escola “beneficia imenso” com esta atividade desportiva, não só pelo fomento da prática da modalidade a um nível competitivo, como também porque alguns equipamentos têm vindo a ser “melhorados” ao longo dos anos.

“Na verdade o clube não se restringe à escola. Aliás, neste momento já atingiu uma dimensão bem superior à escola. Qualquer aluna joga… só que, como se apostou muito na qualidade, as atletas que aqui jogam têm qualidade, não é só o desporto de recriação, mas competitivo. O desporto de recriação, nas crianças, é aberto a qualquer criança da cidade. A nível competitivo há, obviamente, outro grau de exigência”, conclui.

“Foram meses muito intensos”

O treinador da equipa sénior feminina de basquetebol do GDR André de Resende não tem dúvidas: “Conseguimos jogar contra toda, de igual para igual”. Apesar das dificuldades – “algumas atletas são ainda muito jovens, nenhum tinha alguma vez jogado na I Divisão” -Luís Francisco diz que a equipa se tem “batido pelo resultado” até final dos jogos. “O problema é quando chegamos ali aos últimos segundos, àquela jogada decisiva, em que as coisas não correm bem”. Com reflexo nos resultados. “Já começamos a acusar algum cansaço. Foram sete meses muito intensivos, sem parar, com jogos quase todos os fins de semana e deslocações tremendas, de centenas de quilómetros”, refere.

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