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“É mais complicado as mulheres conseguirem publicar”

Margarida Maneta texto | Ozias Filho foto

Começou a escrever por gosto, sem se considerar escritora. Tem uma lista interminável de autores que a inspiram e vários projetos em andamento a partir de Londres, onde vive atualmente. Gabriela Ruivo Trindade nasceu em Lisboa, mas é a Estremoz que chama casa. Foi, inclusive, esta cidade alentejana e as suas gentes, ou as memórias que tem delas, que a inspiraram a escrever o seu primeiro livro, “Uma Outra Voz”, publicado em 2013.

Qual é a sua história com a cidade de Estremoz?

É uma ligação familiar. Nasci em Lisboa, mas os meus pais são de Estremoz. Só nasci em Lisboa porque eles foram estudar para lá e depois já não regressaram. Cresci na capital, mas ia sempre de férias para Estremoz. Todos os anos, pelo Natal, Carnaval, férias de Páscoa e de verão…. até mesmo alguns fins de semana passava em Estremoz.

Alentejana por opção, portanto…

Por opção e por costelas (risos). A família é toda de Estremoz e passávamos muito tempo com os meus avós, por exemplo. Tenho muitas memórias da cidade, era lá que passava o meu tempo livre. 

O que é que despertou o seu gosto pela leitura e pela escrita?

Foi um livro que a minha professora da terceira e quarta classes lia todas as manhãs: “As Aventuras de João Sem Medo”, de José Gomes Ferreira. Este livro é muito interessante. Não é para crianças. Julgo que hoje não era possível que uma escola aprovasse que aquele livro se lesse a crianças e eu acho isso mau. Lembro-me perfeitamente que foi ao ouvir aquele livro que quis começar a escrever histórias, porque desperta a imaginação e a fantasia. É um livro sério, sobre um assunto sério, mas que tem esta camada de fantástico. Claro que depois, ao longo da minha vida, fiz muitas outras leituras, mas acho que esta foi a grande inspiração. Se não tivesse ouvido aquele livro, todas aquelas manhãs, se calhar não teria tanto interesse.

Passados nove anos desde que ganhou o Prémio Leya, que escritora é que temos agora?

Tenho mais dois livros publicados com a editora On y Va. E tenho mais coisas escritas, mas não é fácil publicar mesmo tendo recebido um prémio. Penso que tem muito a ver, para já, com o facto de o mercado português ser muito pequeno e, depois, pelo facto de ser mulher. Nota-se uma grande diferença entre mulheres autoras e autores homens. Há alguma facilidade para os autores, para nós é mais complicado. Temos sempre que fazer mais um esforço. Mesmo com um prémio, ao contrário do que as pessoas pensam, não é fácil. Em termos de publicação, não sinto que o prémio me tenha aberto portas e é triste. O que o prémio me deu foi ter publicado um livro, que tenho dúvidas se teria sido publicado se não tivesse sido premiado, e o reconhecimento enquanto escritora. Eu própria, a partir daí, me reconheci como escritora. Não desanimo facilmente, vamos continuando. Tenho uma livraria aqui, chamada Miúda Books. E por aqui digo aqui ao lado, na sala. Vendo livros online para a comunidade portuguesa no Reino Unido e não só. Envio também para o Brasil e Estados Unidos da América. 

E está a escrever?

Estou a escrever um novo livro. Fui agraciada com uma bolsa da Direção Geral do Livro, Arquivos e Bibliotecas e do Ministério da Cultura. Tenho ainda alguns meses para o acabar. Além da escrita deste livro, tenho um projeto chamado “Mapas do Confinamento” em que temos um conjunto de artistas, como escritores, artistas plásticos e fotógrafos reunidos a produzir a sua arte. Já somos mais de 150, temos um ‘website’ e englobamos todo o território da língua portuguesa desde o Brasil, Cabo Verde, Angola, Guiné-Bissau, Moçambique e Portugal, além de artistas que vivem na diáspora, como eu. O outro fundador deste projeto é o Nuno Gomes Garcia, também ele um escritor português, mas que vive em Paris. 

Com que objetivo?

Promovemos mesas redondas com a Fundação Calouste Gulbenkian, todos os meses. Também fazemos traduções para inglês e francês em parceria com universidades, no caso, a de Oxford e a de Jean Monnet. Conseguimos também uma parceria muito boa com a Universidade de Estudos Estrangeiros de Pequim. Já publicámos um livro deste coletivo. São 65 autores reunidos num livro que se chama “Contágios” e acabou de sair pela editora aveirense Visgarolho. 

E o novo livro? Pode adiantar-nos pormenores?

Esse livro… (risos). É muito complicado para mim falar dele. Ainda estou naquela fase em que olho para todos os lados. A data de entrega será fins de setembro.

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