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Documentário “Malagueira” exibido na Casa do Alentejo

Os arquitetos Álvaro Siza Vieira e Nuno Ribeiro Lopes, o ex-presidente da Câmara de Évora, Abílio Dias Fernandes, e dezenas de moradores do Bairro da Malagueira são protagonistas do documentário “Malagueira”, realizado por Luís Godinho, que será exibido no próximo sábado, dia 25, na Casa do Alentejo em Lisboa.

“A Malagueira é um projeto único, no qual a componente arquitetónica surge enquadrada por pressupostos ideológicos. O desenho das casas e dos espaços comuns, isto é, a conceção do próprio bairro, envolveu a participação dos futuros moradores, chamados a opinar sobre questões como a dimensão das janelas ou a altura dos muros. Foi um projeto participado onde rapidamente se passou da discussão sobre a tipologia das casas para o conceito de cidade. E foi também um projeto inclusivo, na medida em que Álvaro Siza Vieira conseguiu evitar a criação de ‘guetos’ numa área com 1200 habitações, integrando a iniciativa privada com a construção social e cooperativa”, diz o realizador do documentário.

“Mais do que a história do bairro, procurei refletir sobre as suas vivências atuais, indo ao encontro de quem o habita e reunindo um conjunto de depoimentos de moradores, alguns recém-chegados, outros que se intitulam de ‘pioneiros’, por terem sido os primeiros a instalarem-se”, acrescenta Luís Godinho, sublinhando que a estreia do documentário marca o início das comemorações dos 45 anos da Malagueira, porventura o projeto “mais icónico” de Siza Vieira.

“Houve a oportunidade de, simultaneamente, estudar o plano e a tipologia [das casas]”, recorda o arquiteto, que se deslocou a Évora, pela primeira vez, a 18 de março de 1977 para conhecer o local onde o projeto seria implementado. As obras prolongaram-se por duas décadas, embora o bairro continue inacabado uma vez que alguns dos equipamentos coletivos, como a semicúpula, que deveria marcar a centralidade deste território, não chegaram a ser construídos.

“A Câmara de Évora, naquela altura, tomou a liderança urbanística a nível nacional com várias ações. Uma delas foi a Malagueira. Outra foi a elaboração de um primeiro Plano Diretor Municipal, que era uma coisa que legalmente não existia. Aliás, foi feito e só seis anos depois é que entrou em vigor, quando a lei surgiu. Foi também o combate aos loteamentos clandestinos e a classificação [do centro histórico] como Património Mundial. Foram quatro ‘linhas de combate’ que modificaram completamente a face de Évora”, diz o arquiteto Nuno Ribeiro Lopes que, à época, colaborava com Siza Vieira, e foi encarregado de, no terreno, acompanhar o desenvolvimento do projeto.

“Onde é que a Malagueira entrava neste processo? Por um lado, pela valorização do centro histórico. Por outro, como alternativa aos loteamentos clandestinos. Era um loteamento planeado, e a visão que o Siza tinha era prolongar a qualidade do centro histórico. A Malagueira inseriu-se nesta lógica, não de combate ao centro histórico, mas de continuidade… uma oposição aos loteamentos clandestinos”, acrescenta Nuno Ribeiro Lopes.

Tanto o documentário com uma página de internet dedicada ao bairro (www.malagueira.pt) resultam de uma iniciativa conjunta da ALD Produções e da Associação Setespinhas, cofinanciada pelo Ministério da Cultura, através do programa Garantir Cultura, e apoiada pela Câmara Municipal de Évora e pela Associação de Moradores Malagueira Viva e Vivida. A direção de fotografia é de Bruno Lino Vassalo. A produção executiva é de Ana Luísa Delgado. A estreia ocorreu no passado mês de janeiro, em Évora.

Jornalista e realizador, Luís Godinho é autor de diversos documentários, entre os quais “O Salto” (2017), premiado no Farcume – Festival de Curtas Metragens de Faro, “Aldeia Eterna” (2016), estreado no Colóquio Internacional “Escrever e Pensar ou o Apelo Invencível da Arte”, em Gouveia, que assinalou o centenário do nascimento do escritor Vergílio Ferreira, ou “Cartas” (2019), produzido por ocasião dos 350 anos da publicação de “Cartas Portuguesas”.

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