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Clube dos Direitos Humanos de Estremoz: 25 anos em livro

Margarida Maneta texto | Gonçalo Figueiredo foto

“Professora, hoje há clube?”, ouve-se há 25 anos pelos corredores da Escola Secundária Rainha Santa Isabel de Estremoz. Os autores da pergunta foram os mais variados alunos que passaram por esta instituição de ensino e que, como resposta, obtiveram sempre um exclamativo “sim”. Agora, as memórias desta experiência deram origem a um livro cuja apresentação ocorre amanhã, dia 30, pelas 16h00, no auditório da escola. 

Organizado pela coordenadora do clube, Maria do Céu Pires, e por dois antigos alunos, Francisco Pardal e Teresa Serafim, esta obra pretende evidenciar 25 anos de um trabalho que “não deve ser esquecido”. 

Dividido em três capítulos, o livro começa por reunir os testemunhos dos alunos que fizeram o Clube dos Direitos Humanos da Escola Rainha Santa Isabel de Estremoz, mas que o clube também “ajudou a construir, ao torná-los melhores cidadãos”, explica Maria do Céu Pires ao Brados do Alentejo. Esses alunos são hoje designers gráficos, médicas, jornalistas, especialistas em ‘marketing’, advogados, professores, arquitetos, farmacêuticas e assistentes operacionais que tiveram em comum “a vontade de não ficar indiferente” ao que se passa no mundo. 

Através destas páginas é percetível “uma carga emocional muito grande” que demonstra “a importância do clube para estas pessoas e para a comunidade”, afirma Francisco Pardal. O que, inclusive, acrescenta Maria do Céu Pires, pode “inspirar outras pessoas, escolas” e comunidades. 

Isto porque, aqui, a cidadania é entendida como “uma participação a todos os níveis: na comunidade onde nos inserimos – no caso, a escola –, mas também na comunidade local e na cidade. Em Estremoz, por exemplo, a partir da Cruz Vermelha, da Câmara Municipal, dos Centros Paroquiais e Sociais e do Grupo da Amnistia Internacional”, declara Maria do Céu Pires. 

A ação vai além do evidente, implicando a educação de jovens “de uma pequena cidade do interior alentejano numa perspetiva de cidade cosmopolita” e promovendo a construção de si próprios e do mundo que querem melhor. 

Entre os objetivos subjacentes à criação deste clube estão o desenvolvimento “do espírito critico, da argumentação e do diálogo”. Mas não só. “Também as emoções e as relações interpessoais têm de ser trabalhadas porque nós, alunos e professores, somos pessoas e não máquinas”, elucida Maria do Céu Pires. 

“Quando a escola forma e educa, não pode só pensar em termos cognitivos e curriculares. Deve pensar que as pessoas se ligam umas às outras por emoções e que estas devem ser trabalhadas, ajudando cada um a geri-las e evitando as negativas, como o ódio e o rancor, que agora andam à solta no mundo”, indica a coordenadora.

O segundo capítulo particulariza a experiência dos professores que dinamizam, mas também são influenciados pelo clube. Uma experiência que “ajuda a crescer, em cidadania, em tolerância e em afeto”. Pertencem às mais variadas áreas: vão da Biologia, à Economia, do Português, à Educação Física e à História ou à Geografia, por exemplo.

“A minha passagem pelo clube deixou marcas permanentes que continuam a manifestar-se no meu dia-a-dia, no meu relacionamento com o outro, em qualquer momento e em qualquer lugar”, pode ler-se algures nestas páginas. 

O terceiro e último capítulo também celebra a vida do Clube de Direitos Humanos, mas desta vez a partir das personalidades e instituições externas à escola, mas, na mesma medida, envolvidas neste projeto. Da jornalista premiada Ana Margarida Carvalho à resistente antifascista Conceição Matos Abrantes, as últimas páginas desta edição têm também a assinatura da Comissão Nacional de Promoção dos Direitos e Proteção das Crianças e Jovens, do Serviço Jesuíta aos Refugiados e da Amnistia Internacional Portugal.

A obra, editada pela Colibri, apresenta ainda uma compilação de memórias fotográficas registadas desde que, naquele ano de 1997, se lançou o “e se criássemos um Clube de Direitos Humanos?”. Entre marchas, vigílias, cartazes, seminários, encontros, intercâmbios, murais, angariações de fundos, exposições e visitas de estudo, este livro conta a história de um clube que tem agido em prol da cidadania dos seus participantes.   

Preparada desde 2021, a publicação e apresentação do livro vai decorrer somente agora, em abril, por causa do simbolismo associado a este mês. Todos os anos, por esta altura, o clube dinamiza uma atividade intitulada “celebrar a liberdade”. “O clube, se o quiséssemos definir, é um espaço de liberdade” e isso justifica a espera.

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