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Centro de Dança vai nascer em Évora. CDCE “estranha” omissão

A Companhia de Dança Contemporânea de Évora (CDCE) lamentou “não ter sido consultada” sobre o projeto de criação do Centro Nacional de Dança, em Évora, que, conforme noticiado pela SW Portugal, será dirigido pela bailarina e coreógrafa Vera Mantero. Trata-se de um dos principais “pilares” daquela que será a programação da Capital Europeia da Cultura 2027.

O Centro Nacional para a Dança Contemporânea de Évora será instalado no edifício do antigo Núcleo de Seleção e Armazenagem de Sementes, um espaço industrial atualmente sem utilização. A ideia é criar um centro de dança “sintonizado com o presente, ainda que comprometido com uma tradição crítica e discursiva na qual o corpo é encarado como um meio para nos incitar a olhar o mundo de forma diferente”.

Com coordenação dos cenógrafos Vera Mantero e João dos Santos Martins, e programação cultural de Liliana Coutinho, o projeto é apresentado como “um dos mais importantes legados” da candidatura, “um lugar para cultivar a sensibilidade e a sociabilidade, descentralizado embora (inter)nacional, um espaço de experimentação, inclusivo e articulado com o pensamento e as práticas ecossustentáveis”.

O problema é que a Companhia de Dança Contemporânea de Évora (CDCE), apesar de contar com o apoio sustentado da Direção Geral das Artes e ter um projeto artístico reconhecido no país e no estrangeiro, não sequer consultada sobre o projeto. “Esta falta de envolvimento não pode deixar de causar estranheza”, refere fonte da companhia, recordando, aliás, que a própria Vera Mantero integrou o programa de Oficinas de Dança e Mostras Informais, que acolheu em Évora, no início do seu percurso artístico, coreógrafos da que viria a ser designada como Nova Dança Portuguesa.

“Entendemos que a relevância da Companhia de Dança  Contemporânea de Évora, não apenas na cidade de Évora e na região alentejana, como na própria história da dança portuguesa, possa conduzir as entidades responsáveis à revisão desta posição”, acrescenta a mesma fonte, recordando que as bases artísticas da companhia foram criadas em 1987 pela bailarina e coreógrafa Nélia Pinheiro, recém-chegada de Londres. “Com o primeiro palco no Adro da Sé de Évora, a expensas próprias e com a ajuda de colegas de profissão, a cidade de Évora tornou-se a casa do projeto que descentralizou a dança e afirmou-a, pela primeira vez, fora de Lisboa”.

A companhia, que desde 2006 organiza o Festival Internacional de Dança Contemporânea (FIDANC), lembra ter prosseguido ao longo dos anos “uma linha de atuação que distribui por entidades públicas e privadas de programação artística de todo o país, permitindo assim que, tendo Évora como espaço de residência e de criação, os projetos se desenvolvam e tenham visibilidade, estando igualmente assegurados os apoios centrais da Direção-Geral das Artes, que têm garantido e vão continuar a garantir, nos próximos anos, a continuidade do projeto em Évora e no Alentejo”.  

Para o presidente da Câmara de Évora, Carlos Pinto de Sá, trata-se de uma posição “absolutamente extemporânea”, na medida em que “foi apenas manifestada uma intenção e inserida na candidatura” de Évora a Capital Europeia da Cultura. “Quer neste setor, quer em todos os outros”, os projetos a desenvolver no âmbito de Évora Capital Europeia da Cultura 2027 “serão abertos e procurarão o envolvimento das associações locais e regionais”, sublinhou o autarca à agência Lusa.

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