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Capital da Cultura propõe-se “incluir” artistas de toda a região

Luís Godinho texto

Um dos objetivos estratégicos de Évora – Capital Europeia da Cultura 2027 é a “consolidação da centralidade urbana” da cidade. O que, segundo o dossiê de candidatura, permitirá desenvolver a “absorção de novas dinâmicas” na envolvente regional, “enriquecendo a sua identidade e o seu património cultural”. Estão previstas iniciativas em toda a região.

De acordo com o documento, essa envolvência regional permitirá que Évora ganhe “dimensão crítica para competir internacionalmente enquanto centro para a criação artística e cultural”. Por isso a aposta passará por duas vertentes estratégicas: uma dimensão tradicional, “que determina a sua identidade e se baseia na relação com a região Alentejo” e outra, contemporânea e universal, “essencial ao seu reconhecimento”.

Na candidatura afirma-se que Évora 2027 “toma como ponto de partida a identidade cultural única do Alentejo e o seu capital simbólico para a organização de processos de mudança social, cultural e económica, capazes de melhorar significativamente a qualidade de vida dos habitantes da região e a competitividade do território, no que se refere à sua qualificação, nível de notoriedade e atratividade à escala nacional e internacional, com relevo para o espaço europeu”.

Daí a ligação a cerca de duas centenas de estruturas culturais e artísticas do Alentejo Central, a entidades que promovem residências artísticas no território, como O Espaço do Tempo ou as Oficinas do Convento (em Montemor-o-Novo) e o Córtex Frontal (Arraiolos) e a “mais-valia” representada pelas várias classificações da UNESCO, como o Cante Alentejano, o Figurado em Barro de Estremoz, a Arte Chocalheira e a Falcoaria, “todas elas potenciadoras da promoção da identidade cultural da região”.

O anúncio da escolha de Évora para Capital Europeia da Cultura em 2027 veio premiar uma proposta “ousada, mas também muito honesta”, defendeu Paula Mota Garcia, coordenadora da candidatura, sublinhando que o conceito apresentado, bem como o programa cultural e artístico “baseiam-se no modo de ser e de viver alentejano, no vagar enquanto consciência plena de que nós, enquanto humanos, estamos sempre em relação com tudo o que nos rodeia”.

Entre as iniciativas artísticas mais diretamente dirigidas ao “todo” regional inclui-se o projeto “Matérias do Silêncio”, no âmbito do qual serão convidados artistas plásticos e designers, locais e internacionais, “a explorar materiais naturais (como o barro e a cortiça) para produzir peças e objetos contemporâneos, em estreita articulação com a memória e as histórias dos objetos tradicionais, numa iniciativa que pretende chamar a atenção “para o esgotamento de recursos naturais causado pelos elevados níveis de produção e consumo”.

Igualmente aberto a artistas residentes no Alentejo estarão projetos como “A Captação do Vagar”, em que serão convidados profissionais da fotografia e do cinema “a conhecer jovens locais e a criar novas narrativas sobre a região através da produção de imagens estáticas ou de vídeo” ou “Bipolaridades”, que irá procurar “compreender o papel desempenhado pela arte e pelos artistas” que viveram durante os três séculos que durou a Inquisição em Portugal, “convidando, para tal, encenadores, atores, coreógrafos e bailarinos a conceber um conjunto de visitas encenadas e coreografadas que analisem o contexto em que este legado artístico foi criado e que o reinterpretem para apresentação ao mundo contemporâneo”.

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