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Borba volta a ser “a capital” da vinha e do vinho

Maria Antónia Zacarias texto | Gonçalo Figueiredo fotografia

Em torno de um copo de vinho contam-se as melhores estórias, vivem-se bons momentos, preservam-se amizades, e ouvem-se as tradicionais modas alentejanas. Tudo isto encontra-se em Borba todos os dias, mas com maior incidência entre 9 e 13 de novembro, na Festa da Vinha e do Vinho que, anualmente, chama ao concelho milhares de visitantes. 

E o que acompanha um bom vinho? Um bom petisco feito com os produtos regionais certificados e de excelência. Promover a gastronomia tipicamente alentejana, bem como os vinhos produzidos no concelho, onde se destaca o vinho da talha que é provado no Dia de São Martinho, nas adegas particulares, mas também na Adega antiga do município, são os objetivos de mais uma edição deste certame. Como não há festa sem o circuito das tascas. O momento alto da iniciativa está este ano marcado para o dia 12, às 11:00 horas como manda a tradição. 

Os grupos corais chamam a atenção e avisam que o velho ritual de “Fazer as Onze” está prestes a chegar a todas as tascas e restaurantes que aderem à iniciativa. Este hábito, tornado produto turístico, é constituído por um copo de vinho, um prato com petisco típico da casa, pão e azeitonas, a meio da manhã, pelas 11:00 horas. Esta é a hora em que os homens que trabalham no campo e nos ofícios rurais param para “tirar uma bucha” e, neste caso, em Borba, para “Fazer as Onze” à volta do vinho, falando sobre os assuntos do dia, ao som, muitas vezes, do cante improvisado ou do Cante alentejano também ele associado ao mundo rural. 

Esta tem sido uma tradição que tem vindo a passar de geração em geração a que os mais novos dão continuidade. O nome “Fazer as Onze” vem da hora a que o encontro acontece e em que as tabernas locais se enchem de pessoas. 

Na edição deste ano, e embora o Município não tenha divulgado ainda quais são os restaurantes e tascas que vão participar neste circuito, o início deverá ser uma prova do vinho da talha com petisco na Associação de Reformados de Borba, depois uma passagem pelo Museu Interativo de Borba, nas tascas mais antigas do concelho, na cervejaria “A Cidade” que vai servir “o vinho corrente da Adega Cooperativa de Borba acompanhado de um petisco como carne do alguidar, linguiças, farinhas e moelas. Tudo isto para divulgar a nossa casa, provarem o vinho e levarem Borba mais longe”.

Também o café “Cágio” deverá ser um ponto de paragem com uma mesa montada “ao meio da casa”, para que “as pessoas se cheguem ao centro e possam provar e conversar”. Os petiscos vão ser a cachola, as migas, o pão, o queijo, as azeitonas e o vinho de Borba. Após muitos encontros, provas de vinho e barrigas “forradas” para o almoço, é chegada a hora da “abaladiça”, o último copo antes de terminar o circuito das tascas.  

Termina o “Fazer as Onze”, mas não a Festa da Vinha e do Vinho que inclui um vasto conjunto de atividades e espaços dedicados aos vinhos e ao enoturismo, gastronomia, produtos (azeite, enchidos, mel) e doçaria regionais, artesanato, equipamentos e serviços vitivinícolas, ou não fosse este um certame vocacionado para a vitivinicultura que tanto peso tem na região Alentejo, quer em termos de promoção do território, quer no impacto na economia local. 

Associada a esta valência económica há ainda a parte lúdica com os espetáculos musicais, fazendo da Festa um pretexto para reencontro de amigos e famílias que aproveitam esta data para ficar em Borba durante estes cinco dias.

Presença habitual no certame é a Adega Cooperativa de Borba, que agrega o saber fazer de muitos vitivinicultores que todos os anos aqui deixam as suas uvas, matéria-prima para fazer os vinhos. Produtos que a adega acredita que vão manter o seu posicionamento competitivo e atrativo para o consumidor.

De acordo com o diretor-geral, Nuno Brito, o maior impacto que a Festa da Vinha e do Vinho tem para a Adega Cooperativa “é o facto de ter uma notoriedade forte a nível regional, atraindo muitos visitantes ao concelho que contribuem para a dinamização da economia e comércio local”. O responsável salienta ainda que, durante os cinco dias do evento, a Adega “consegue estar mais perto da população local, partilhando o seu projeto e apresentando algumas novidades no que toca a vinhos”. 

A seu ver, a tradição ancestral de festejar as novas colheitas dos vinhos de qualidade que se produzem na região de Borba “tem um peso sociocultural importante que interessa preservar e divulgar”.

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ADEGA REÚNE 270 VITICULTORES

A Adega Cooperativa de Borba reúne atualmente 270 viticultores associados que cultivam cerca de 2.220 hectares de vinha distribuídos por 70 por cento de castas tintas e 30 por cento de castas brancas. Questionado sobre se a subida do custo de vida poder ter consequências negativas no setor, o diretor-geral da Adega, Nuno Brito, afirma que, obviamente, aumentará o desafio que se coloca às marcas de grande consumo. “O vinho, não sendo um produto de primeira necessidade, sofrerá certamente desse impacto, com alteração de momentos de compra e consumo e opção por marcas que se apresentem como mais competitivas numa perspetiva de relação qualidade-preço”.

Face a isso, os principais desafios “serão a diversificação de marcas e mercados, mantendo um controlo apertado relativamente ao aumento de custos de operação, de modo a que o posicionamento dos nossos produtos se mantenha competitivo e atrativo para o consumidor”, sustenta.

Recorde-se que a Adega de Borba foi pioneira no Alentejo e tornou-se numa referência pelo modo como assegurou um produto de qualidade ao mercado, promovendo melhores condições para a sustentabilidade dos viticultores seus associados. “A força e a resiliência de todos os rostos que estão por trás da história da Adega espelham ainda hoje um sentido de inovação, ousadia e coragem, tendo contribuído de forma ativa para o desenvolvimento da região”, conclui Nuno Brito.

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