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Hospital de Beja tem de merecer “atenção especial” do SNS

O presidente da Câmara de Beja, Paulo Arsénio, enviou uma carta ao ministro da Saúde, Manuel Pizarro, e ao diretor executivo do Serviço Nacional de Saúde (SNS), Fernando Araújo, na qual defende a necessidade de uma “atenção muito especial” ao funcionamento da urgência de obstetrícia e da sala de partos do Hospital de Beja.

Na carta, o autarca manifesta “profunda apreensão pelo de facto de, em momentos que coincidem com festividades e férias, a maternidade de Beja estar sistematicamente fora dos serviços que se mantêm em funcionamento”.

Paulo Arsénio lembra ter sido assim tanto no período de Natal como no de Ano Novo, durante os quais os serviços estiveram encerrados, respetivamente, por 24 e 48 horas, sendo as pacientes encaminhadas para o Hospital de Évora, “com os transtornos naturais” daí decorrentes.

“Estes encerramentos na maternidade do Hospital José Joaquim Fernandes, de Beja, deixam desprotegida uma enorme faixa de território na prestação destes cuidados médicos fundamentais para quem deles necessita”, acrescenta.

O texto, a que a SW Portugal teve acesso, lembra que quando coincidem os encerramentos dos serviços dos hospitais de Beja e de Portimão, como aconteceu no período de Ano Novo, “fica desprotegida” uma vasta zona, com mais de 200 quilómetros (entre Faro e Évora), sem resposta nesta especialidade médica, o que representa uma população de perto de 150 mil pessoas, sujeitando as grávidas “a longas viagens até à urgência ou ao bloco de partos mais próximo”. Além disso, sublinha, à exceção do ano de 2020, o número de bebés nascidos no Hospital de Beja tem sido sempre superior a mil por ano.

“Sucede que esta enorme faixa de território fica regularmente sem assistência aos nascimentos quando noutros pontos do país, nomeadamente na Área Metropolitana do Porto, estão todas as 13 maternidades, algumas das quais próximas entre si, em plano funcionamento – o que registamos com agrado -, acentuando as assimetrias regionais entre litoral e interior”.

Na carta digira ao ministro da Saúde e ao diretor executivo do SNS, Paulo Arsénio sublinha ser no Baixo Alentejo que o encerramento dos serviços de partos “maiores constrangimentos causas” e onde “os serviços em funcionamento mais afastados estão”.

“Entendemos que a urgência de obstetrícia e o bloco de partos do Hospital de Beja têm de merecer uma atenção muito especial por parte do SNS nestas ocasiões, tentando acautelar-se atempadamente a não interrupção do serviço com recurso a profissionais deslocados para o efeito de outros pontos do país ou com recurso a clínicos de outras nacionalidades, sempre e enquanto não haja uma solução definitiva para o problema com o escalamento regular de profissionais da própria unidade de saúde”, refere.

O autarca de Beja pede ainda a Manuel Pizarro “o maior empenho” para que a situação “possa ser ultrapassada de forma consistente no futuro mais próximo, não obrigando as grávidas da região às mais longas viagens em território nacional para serem assistidas”.

A carta foi enviada numa altura em que a Comissão Parlamentar de Saúde decidiu chamar ao parlamento o ministro da Saúde e o diretor executivo do SNS para os ouvir sobre o fecho de maternidades e a reorganização dos serviços de urgência. Os requerimentos foram apresentados pelo PCP e pelo Bloco de Esquerda e foram aprovados por unanimidade.

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