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“Aumento dos custos de produção agrícola tem sido brutal”

Com a invasão da Ucrânia pela Rússia “não está apenas em causa como alimentar o planeta, mas também que capacidade terão os agricultores de o fazerem, uma vez que o aumento das despesas e dos fatores de produção tem sido brutal”, diz o presidente da Associação de Agricultores do Sul (ACOS), Rui Garrido, entidade organizadora da Ovibeja, que chega hoje ao fim.

Segundo Rui Garrido, em causa está “não apenas o aumento dos custos, mas também as matérias-primas que vão faltar – e que já estão a faltar – devido à situação de guerra”. E explica: “fala-se das matérias-primas e, sobretudo, cereais e oleaginosas, de que a Rússia e a Ucrânia são grandes produtores, 30% dos quais importados pela União Europeia, mas começa-se também a notar que podem começar a faltar os fertilizantes”. E esta a “grande” preocupação dos agricultores. “Se não houver fertilizantes como é que se conseguem produzir alimentos?”, interroga.

O presidente da ACOS lembra que a superfície agrícola útil mundial não aumenta e que cada vez há mais pessoas no mundo, que é preciso alimentar. Por isso, diz que “não podemos ter preconceitos em falar da agricultura intensiva”, em particular no Alentejo. “É um assunto que quando se aborda até parece que somos todos uns criminosos, que apanhámos a água do Alqueva e que só praticamos crimes de lesa pátria e contra o clima. E isso não é verdade. Temos que abordar estas temáticas de uma forma serena, sabendo que tem que haver sustentabilidade económica, mas também sustentabilidade ambiental, para amanhã conseguirmos alimentar o planeta”, acrescenta.

No caso das sanções à Rússia, Rui Garrido refere que, no conjunto da agricultura nacional, a alentejana “será talvez, no curto prazo, a menos afetada” uma vez que “os dois grandes setores em que as sanções mais se fazem sentir são o dos vinhos, sobretudo mais da zona dos vinhos verdes, e o do leite”. 

“Nos outros setores”, sublinha, “a situação, para já, não é tão grave, mas apenas no curto prazo. A um prazo mais longo tudo será diferente. O grande problema que estamos a sentir e que poderá afetar algumas culturas de primavera, nomeadamente o milho, é o aumento brutal dos fatores de produção, uma vez que depois não há a garantia de que o preço de venda vai cobrir o volume da despesa. No que respeita à pecuária, este conflito veio agravar significativamente o aumento dos preços das rações que já se estava a fazer sentir nos últimos meses por força da Seca, atingindo neste momento preços proibitivos”.

“Ministra não nos tem ouvido”

Para o presidente da ACOS, é “essencial” que a ministra da Agricultura “trabalhe connosco, oiça a lavoura”, o que, na sua opinião, nem sempre tem sucedido: “São conhecidas as desavenças que têm havido em determinados momentos entre ministra e a Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP), que é a nossa confederação. Por isso o que desejamos é ter uma ministra que oiça e trabalhe com a lavoura, porque torna tudo mais fácil para ela e também para nós, porque há mais possibilidade de chegarmos a consensos”. 

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