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Luís Assis: “Canalizam-se as nascentes para os esgotos em Estremoz”

Luís Assis, advogado | Opinião

Estremoz deve ser a cidade que tem os esgotos mais limpinhos, porque são limpos diariamente com as nascentes de água que estão ligadas diretamente aos mesmos, servindo os esgotos em vez de servir as pessoas.

As recentes obras em Estremoz, na biblioteca, no Largo Dragões de Olivença e no Largo General Graça, deram-me o conhecimento da existência de várias nascentes de água que estão ligadas directamente aos esgotos.  Tudo indica que mais nascentes haverá nestas condições, espalhadas pela cidade. 

Canalizam-se as nascentes para os esgotos em vez de se aproveitar a água, tão preciosa nos dias de hoje, para utilização humana ou como reserva estratégica em tempos de escassez. Tudo parece que vivemos num mundo de abundância. 

Numa cidade que perde mais de 70% da água para consumo na rede de águas, que tem lutado com problema de abastecimento de água, nada mais natural do que canalizar as nascentes de água para os esgotos. 

Mandava a racionalidade, o bom senso e a lógica que, desenterradas estas nascentes, caso delas se não soubesse o paradeiro, ter-se promovido as obras necessárias para a sua canalização para ser utilizada para consumo humano ou, em alternativa, serem canalizadas para uma reserva estratégica de água, como a barragem do Frei Joaquim. Mas não!

Aproveitando-se as obras de requalificação, devia ter-se previsto a canalização das águas das nascentes para a sua posterior utilização, seja através da sua ligação aos depósitos de abastecimento, a construção de cisternas ou a sua canalização para um reservatório de água.

Os nossos antepassados conheciam o valor precioso da água, aproveitando toda e qualquer gota, fosse de nascente, fosse da chuva, canalizando-a toda para cisternas. Nós, deixamo-la ir esgotos abaixo. O mais curioso disto tudo é que a Câmara anda a lançar avisos de poupança de água aos munícipes quando ela é a principal gastadora, com as rupturas da rede e a maior desperdiçadora com a limpeza dos esgotos com a água das nascentes. 

A Câmara, que se diz tão preocupada com os gastos de água, já devia ter feito um levantamento das nascentes existentes e promovido as obras necessárias ao seu aproveitamento, porque isso é que é trabalhar em prol da causa pública, não são os alinda- mentos de arruamentos. Podemos não ter água para consumo, mas temos esgotos limpinhos, pese embora no verão cheirem mal.

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