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Estremoz: Armando Alves recusa “nova versão” de monumento

Ana Luísa Delgado texto | Gonçalo Figueiredo fotografia

O artista plástico Armando Alves recusa fazer uma “nova versão” do monumento aos Bonecos de Estremoz. O projeto foi-lhe encomendado pela Câmara Municipal em 2017, na sequência da classificação do Figurado de Estremoz como Património Imaterial da Humanidade. Passados mais de cinco anos, ainda não há monumento. Nem se sabe se será construído.

O presidente da Câmara de Estremoz, José Daniel Sádio, e o artista plástico Armando Alves estiveram reunidos para tentar chegar a acordo sobre o monumento ao Boneco de Estremoz, encomendado há mais de cinco anos ao artista plástico. “Julgo eu que a principal intenção do presidente seria encurtar custos, pelo que me pediu para fazer uma nova versão do monumento, que tornasse mais viável a sua execução”, diz Armando Alves, revelando ter rejeitado essa possibilidade.

“Disse que não o faria pois quem me encomendou o projeto foi a Câmara de Estremoz, designadamente o anterior Executivo, não querendo estar a ser injusto com quem me encomendou o trabalho, ao fazer algo diferente do que estava projetado”, refere o artista plástico, acrescentando que uma solução poderá ser “deixar cair” o “espelho” da água que está projetado para o local. “Fazer apenas o monumento significa encurtar bastante os custos”.

Segundo Armando Alves, esta possibilidade “mereceu a concordância” do autarca. Pelo que, na sua opinião, o monumento “vai ser feito no mesmo espaço, como estava previsto, mas sem o lago envolvente”. Ainda que não exista qualquer previsão sobre a data em que isso irá ocorrer.

Conforme noticiado pelo Brados do Alentejo, uma das propostas “consensualizadas” entre o Movimento Independente por Estremoz (MiETZ) e o PS para deixar passar o orçamento municipal para 2023 foi o convite a Armando Alves para “reformular” o projeto, cuja execução já foi paga pela autarquia, mas que está por construir.

“Tecnicamente”, referiu José Daniel Sádio em reunião pública de Câmara, “aquele projeto não pode ser implementado naquele espaço”, defendendo a necessidade de ser avaliada a possibilidade de se reformular o projeto, tornando-o “tecnicamente viável e compatível” com o orçamento da autarquia.  Ainda segundo o autarca, entre projeto e construção, tendo em conta o aumento de preços, a obra custará cerca de 500 mil euros, em vez dos 300 mil inicialmente previstos.

Mas o principal problema à colocação do monumento nas Portas de Santa Catarina, refere, prende-se com questões de natureza técnica: “Se o monumento ainda não existe, não é minha responsabilidade. Ainda que eu quisesse, e não está cabimentada verba para isso, há uma questão objetiva: não é possível colocar ali o monumento porque o parque está feito, não podemos andar a circular com toneladas de peso sobre o que lá está, porque o iríamos destruir”, acrescentou José Daniel Sádio, segundo o qual será necessária a aprovação do Ministério da Cultura e ter em conta que “naquela rotunda passa tudo o que tem a ver com água para o Bairro de Mendeiros”, havendo “o risco de colapso, parqueando ali, dias a fio, camiões com parte do monumento”.

Numa carta aberta divulgada em março do ano passado, Armando Alves confessava-se “triste e desiludido” pois o monumento ao Figurado de Barro de Estremoz, que lhe foi encomendado em 2017, projetado para as Portas de Santa Catarina, continuava por executar. Uma dúvida que, passados 10 meses, ainda permanece.

“A reunião [com Armando Alves] já ocorreu, mas reservo o teor da mesma. Quando existirem decisões terei oportunidade de as tornar públicas”, disse o presidente da Câmara de Estremoz ao Brados do Alentejo.

Na carta aberta, o artista plástico defendeu que a localização do monumento por si projetado “implica a escolha de uma centralidade ou de uma relação intrínseca com a cidade”, daí tendo decorrido a escolha das Portas de Santa Catarina, em articulação com o executivo autárquico, à época liderado por Francisco Ramos. “Da minha parte, as componentes artísticas de que fui encarregado foram produzidas (as figuras cerâmicas atingem 4,5 metros de altura), estando as peças de grandes dimensões e exigentes características técnicas à guarda do município”, acrescentou.

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