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André Soares trouxe ouro e bronze dos Jogos Surdolímpicos

Margarida Maneta texto | Lucas Uebel fotografia

Dia 11 de maio, pelas 10h15, o sol brilhava em Lisboa para receber os atletas portugueses que participaram nos Jogos Surdolímpicos, disputados em Caxias do Sul, no Brasil. Entre eles, destaque para o ciclista, residente de Estremoz, André Soares, que conquistou uma medalha de ouro na corrida por pontos e uma de bronze na prova de contrarrelógio.

“Foi uma experiência incrível como primeira participação e estou satisfeito pelos resultados que obtive”, afirmou André Soares, acrescentando que estas duas medalhas olímpicas “são o momento mais alto” da sua vida como atleta. Pelo menos, até agora. Entre os maiores desafios em Caxias do Sul, destaca as condições das estradas, com “muitos buracos e alcatrão em mau estado”, somente suportados pela preparação, rigorosa, que começou em novembro. 

“Foram meses muito duros de trabalho e com poucas ajudas. Todos os equipamentos e condições de treino que tenho, esse tipo de despesas foram suportadas por mim e pelo meus pais, que me têm dado uma ajuda fundamental”, afirma. 

A preparação implicou treinos específicos de ciclismo, à exceção das segundas-feiras em que apostou na natação, nas piscinas de Estremoz, para se “habituar à humidade”.

Também a relação com os outros atletas, a quem chama de “família”, transmite algum conforto neste tipo de competições. Como referência, o atleta destaca Luiz Costa e Telmo Pinão, ambos paraciclistas. “O trabalho que desenvolvem e as dificuldades que superam é incrível e motivador para mim”. 

O gosto pela modalidade começou “desde novo”, informalmente, com umas voltas de BTT ao domingo integrado no grupo Rota d’Ossa. “Comecei a evoluir e a gostar da competição, mudei para ciclismo de estrada para experimentar e desde daí nunca mais consegui parar”. 

Começou a competir em 2017 como júnior na equipa da Bairrada. “Tive muito apoio da família e dos amigos para começar esta aventura da competição”. E acrescenta: “Todos os atletas com quem treinava e dava os passeios aos domingos começaram a desafiar-me”. Diziam-lhe que tinha “pernas para poder ir”. E assim foi. A paixão pelo desporto falou mais alto.

André Soares perdeu a audição com 20 anos e ao praticar ciclismo sente-se “livre” e constantemente desafiado a “superar as dificuldades”. Agora, o sonho é chegar a profissional para “ter melhores condições de trabalho” e continuar a sua “evolução” na modalidade.  Isto porque ainda não se dedica exclusivamente à competição.

“Não treino como profissional, tenho o meu trabalho em Estremoz, sou eletricista automóvel. Treino depois do horário de trabalho. É difícil, é um grande sacrifício, mas no final tudo vale a pena”, considera. 

E, por isso, havia ainda mais motivos para se celebrarem estas vitórias. Os familiares e amigos, em conjunto com o presidente da Câmara de Estremoz, José Daniel Sádio, receberam André Soares aquando a sua chegada à cidade. O ambiente foi de festa, mas conscientes de que agora resta a competição em Portugal, em que o atleta também se tem destacado. 

Também o primeiro-ministro, António Costa, e o presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, felicitaram aqueles que garantiram a “melhor” participação portuguesa de sempre nesta competição.  “Terminaram hoje os Jogos Surdolímpicos com Portugal a conquistar os melhores resultados de sempre. Uma participação histórica que muitos nos orgulha”, pode ler-se na conta da rede social Twitter de António Costa.  Na mesma linha, o presidente da República, segundo a nota publicada na página oficial da Presidência da República, “felicita todos os atletas portugueses que participaram na competição e agradece penhorado o esforço de todos os que a tornaram possível”. 

Estes jogos, que nesta edição decorreram seis meses depois do previsto, devido à pandemia provocada pela covid-19, são o segundo maior evento desportivo mais antigo do mundo, tendo a sua primeira edição sido realizada em Paris, no ano de 1924. 

Os resultados portugueses, desta vez alcançados por 12 atletas, em seis modalidades, “comprovam que o trabalho feito pelos atletas, pelas federações e pelo Comité Paralímpico de Portugal”, bem como “o aumento dos apoios e dos financiamentos trazem resultados”, de acordo com o diretor executivo desta missão, Tiago Carvalho, que elegeu mesmo o ciclismo, modalidade de André Soares, como “a grande surpresa” da presença nacional.

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