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Abrunhosa admite cancelar digressão com Cantadores de Pias

Francisco Alvarenga texto

Uma polémica baseada em notícias falsas e “incendiada” pelas redes sociais está a fazer perigar o projeto de uma digressão mundial de Pedro Abrunhosa com o Grupo Etnográfico Cantadores de Pias.

“Primeiro ignorei. Mas a coisa foi-se agigantando de tal forma, à boa maneira da tão tuga cultura da inveja, que se tornou boa demais para a guardar só para mim”, escreveu Pedro Abrunhosa na nossa página de Facebook, na qual recorda que, de um momento para o outro, começou a circular a notícia falsa de que teria sido convidado pelo Turismo do Alentejo para ser “embaixador” do Cante. Os rumores, alimentados nas redes sociais, chegaram a ser objeto de artigos de opinião nalguns jornais.

A origem do boato terá estado numa reunião que Pedro Abrunhosa realizou, em Beja, com o Turismo do Alentejo. “Sabe-se lá indigitado por quem, eu já era embaixador do Cante Alentejano e, provavelmente, deveria estar a receber por debaixo da mesa milhões de euros que gastaria em passeios no meu opulento veleiro fundeado no cais de Beja”, ironiza.

A reunião, explica o músico do Porto, surgiu depois de uma “curta, mas muito eficaz digressão internacional” que realizou com o Grupo Etnográfico Cantadores de Pias e que lotou algumas das “salas mais emblemáticas” de Londres, Paris, Bruxelas e Luxemburgo.

“Sucesso total. A magnificência, a beleza pura do Cante Alentejano, pela voz destes 27 incríveis cantores, conquistava o coração da Europa. Milhares de pessoas puderam entender a razão pela qual o Cante foi tão justamente elevado a Património da Humanidade pela Unesco”, acrescenta Pedro Abrunhosa, recordando já ter realizado iniciativas semelhantes com músicos de jazz e funk norte-americanos, música country ou brasileira (como Maria Bethânia ou Caetano Veloso” ou músicos do flamenco andaluz, entre outros.

“Regressados a Portugal com os ecos do impacto que tivéramos na Europa, achei que poderíamos, e deveríamos, levar mais longe a nossa ousadia. Buenos Aires, Nova Iorque, Rio de Janeiro, São Paulo, Tóquio, Estocolmo, Oslo, Berlim, Amesterdão, num total de 20 cidades, afiguram-se destinos óbvios para tão feliz e bem-sucedida ligação”.

E é esta segunda digressão que agora poderá estar em causa. De acordo com Pedro Abrunhosa, a reunião no Turismo do Alentejo destinou-se a avaliar a possibilidade de encontrar entidades, públicas ou privadas, que “quisessem colaborar da maneira que entendessem” na realização da digressão, que envolve uma “operação” com um total de 33 pessoas, incluindo os 27 cantadores de Pias.

“A única conclusão desse encontro foi que era necessário desenvolver um documento claro, exaustivo e transparente, para apresentar a instituições múltiplas. E a coisa ficou por aqui”. Ou ficaria, não se desse o caso de ter começado a circular o boato de que teria sido convidado para “embaixador” do Cante Alentejano.

“Eu, ímpio estrangeiro, como me podia permitir tocar no sacrossanto Cante? Essa Arte sublime, o maravilhoso Cante Alentejano, é afinal, para alguns iluminados, uma posse, uma coisa parada, uma cena de vitrine, adereço de enfeite prisioneiro das fronteiras da mesquinhez. Para estes novos-inquisidores do reino dos parolos, o merecidíssimo título de Património da Humanidade é, afinal, um estorvo. Com este tipo de ‘defensores’ o Cante não precisa de inimigos”, refere.

No texto, Pedro Abrunhosa admite “não saber” se o projeto irá para a frente: “Não sei em que é que isto vai ficar. Se desista de levar o encantamento secular do Cante Alentejano ao público que, pelo mundo, tem acompanhado generosamente as minhas aventuras artísticas ao longo de três décadas. A ver vamos”.

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