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“A prioridade é resolvermos a questão da água” (c/ vídeo)

Ana Luísa Delgado texto | Gonçalo Figueiredo foto

Conclusão da entrevista com o presidente da Câmara Municipal de Estremoz, José Daniel Sádio

O concelho perdeu nos últimos anos mais de 11% da população. Em algumas freguesias, a quebra demográfica foi superior a 19%. Como é que explica este decréscimo tendo em conta a posição geográfica privilegiada de Estremoz?

Essa é a grande questão. Por um lado, temos de analisar uma escala macro, transversal. O problema de Estremoz não é só de Estremoz. É também de Estremoz, mas tem a ver com todo o interior. Por outro lado, também é verdade que Estremoz, em comparação com outras cidades e regiões, tem uma situação privilegiada em termos geográficos. Está no eixo Lisboa-Madrid, a pouco mais de meia hora de Évora, a pouco mais de meia hora de Portalegre, de Espanha e a uma hora e meia de Lisboa. Aquilo que falta é o nosso desafio: criar uma estratégia e um projeto que torne Estremoz sustentável na medida em que consigamos começar a contrariar o despovoamento. Uma estratégia concertada em várias ações e várias frentes de batalha. Por exemplo, questões básicas: a maior parte dos jovens que sai Estremoz no 12.º ano [já] não regressa porque não temos trabalho qualificado, não temos forma de os fixar. O desafio é tentar perceber como é que conseguimos captar investimentos e há forma de o fazer. Temos investidores que neste momento estão a empregar mais de duas dezenas de técnicos qualificados e muitos deles cá de Estremoz. 

Mas há também o problema da habitação?

Há falta de loteamentos, há um caminho a fazer, não só na cidade, mas também nas freguesias. O mercado de arrendamento está proibitivo porque há muita procura e pouca oferta, a Câmara tem uma palavra a dizer em relação a promover estes loteamentos e em termos de políticas de incentivo à fixação de casais. Este ano não foi possível, pois estamos a rever os regulamentos municipais e em termos orçamentais a margem era muito curta. Não há uma única medida que resolva isto de ‘per si’. Queremos que daqui a quatro anos consigamos ter mais jovens e, na próxima década, se consiga inverter [o despovoamento] e fixar os nossos jovens.

A regionalização é outro tema sobre a mesa. É a favor ou contra? E com que competências?

Sou totalmente favorável. Essa é a minha opinião pessoal, despindo-me do papel de autarca. Não há nenhuma posição tomada por parte do Município. Acho que podemos e devemos ganhar escala, em termos de serviços que se podem articular, e de financiamentos que se podem obter. O território está “montado” numa lógica em que cada um está no seu espaço, mas recentemente tivemos uma reunião de um projeto interessante de turismo em que se pretende tornar a Serra d’Ossa como o centro de um projeto que envolva todos os restantes concelhos. Isso faz todo o sentido. As pessoas quando vêm a Estremoz, podem vir ver os seus bonecos, os mercados, a sua gastronomia, mas podem ir a Vila Viçosa visitar o Santuário e o seu património histórico ou ir ao Alandroal que também tem os seus ‘ex-libris’. Isto é, nós estamos perto uns dos outros. Temos uma região [que] com competências pode, em termos macro orçamentais, ter outra capacidade que não tem. Um pouco na lógica da premissa dos processos de delegação de competências para as câmaras. É obvio que estando mais perto da decisão, em termos de competências, podemos ser mais assertivos e eficazes. Se isso for aplicado em termos territoriais, [de forma muito mais ampla, acho que ganhamos eficiência e eficácia. Mas essa é a minha opinião pessoal.

Estamos a falar de uma região única?

Sim. Eu penso numa lógica que abranja todo o Alentejo, que pode ser Baixo e Alto Alentejo. 

Com que competências?

Agora estamos a ter [transferência de] competências para as câmaras em várias áreas. Penso que nada terá que ficar necessariamente de fora, [ainda que] obviamente tenhamos uma estrutura central. É preciso perceber é que numa área em concreto, podemos ser mais assertivos por ter competências próprias e, ao contrário do que muitas vezes se pensa, podemos poupar recursos.

Na sua opinião será possível regionalizar sem um novo referendo?

Penso que não. Isso é já histórico e penso que fará todo o sentido referendar. Sei que pode não ser referendado de alguma forma, mas politicamente não me parece que haja grande margem para não o fazer.

Na sua opinião, a eleição indireta do presidente da CCDR foi um passo no sentido da regionalização?

Foi, foi um passo. Foi o primeiro passo e um sinal que existiu e que é concreto. Falta concretizar um passo ainda maior.

E qual é esse passo?

É concretizarmos a regionalização. Tem de haver um projeto legislativo de debate para ir ao encontro de uma decisão. Mas não é um dossiê fácil, não é fácil de gerir.

Quais as prioridades do concelho de Estremoz no próximo ciclo de fundos comunitários?

A prioridade é resolvermos a questão da água e do saneamento básico. Depois, a outro nível, é resolver a questão da habitação social e dos problemas que estão por resolver em termos do edificado e de zonas que podemos requalificar. Temos um desafio muito grande que é o da requalificação urbana, temos obras em curso que vão valorizar a cidade, mas há outros investimentos que são necessários. Posso começar pela parte municipal, em termos de equipamentos: o complexo desportivo está totalmente degradado, o nosso teatro precisa de uma intervenção. Temos de criar com urgência um parque urbano em Estremoz, requalificar a mata… há muita zona inventariada e sinalizada não só para esse investimento como também para outros parques infantis, para zonas de recreio, que estão por concluir. Temos de aproveitar todos os cêntimos em termos de financiamento comunitário.

Concluídos estes seis meses, quais as prioridades para os próximos seis?

Continuar a resolver os problemas, a diagnosticar e projetar as áreas de melhoria e manter esta dinâmica de eventos, visibilidade e notoriedade que temos estado a conseguir articular para Estremoz. Há pouco não falámos de uma questão muito específica que tem a ver com o nosso teatro, um centenário, de aposta forte e única. O centenário faz-se uma vez na vida e isso envolve um investimento grande e muito trabalho para que as coisas aconteçam. Teremos de manter essa cadência e concretizarmos tudo o que está planeado em termos de atividade e continuar a avançar com as melhorias internas, reformulação e reorganização para conseguirmos ter tão breve quanto possível a estrutura a funcionar naquela que é a nossa vontade e a forma de dar resposta ao nosso projeto de governação.

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